segunda-feira, 30 de maio de 2022

EVIDÊNCIAS DA FÉ DE NEEMIAS

 


Três Evidências da Fé de Neemias

Neemias 2.1-20

Como disse Martinho Lutero: “A fé é uma confiança viva e ousada na graça de Deus. É tão certa e segura que um homem pode colocar sua vida em jogo mil vezes por ela”. A Palavra de Deus nos promete que “Tudo é possível ao que crê” (Mc 9:23). Jesus afirmou que a fé viva pode mover montanhas! (M t 17:20).

Neemias foi um homem temente a Deus que viveu pela fé e fez diferença em sua geração. Uma pessoa pode fazer uma grande diferença neste mundo, se tiver o conhecimento de Deus e, verdadeiramente, confiar nele. A fé é decisiva, e, portanto, podemos fazer diferença em nosso mundo para a glória de Deus.

Este capítulo descreve três evidências da fé de Neemias. Ao meditar sobre essas evidências de fé, devemos examinar nosso coração a fim de determinar se estamos, de fato, caminhando e agindo pela fé.

1.TEVE FÉ PARA ESPERAR (Ne 2:1-3)

Uma vez que o mês hebraico de nisã vai de meados de março a meados de abril em nosso calendário, isso indica que se passaram quatro meses desde que Neemias recebeu as más notícias sobre a situação de Jerusalém. Como todo cristão deveria fazer, Neemias esperou pacientemente a orientação do Senhor, pois é “pela fé e pela longanimidade” que herdamos as promessas (Hb 6:12). “Aquele que crer não foge” (Is 28:16). A verdadeira fé em Deus traz ao coração uma tranquilidade que nos impede de nos precipitar e de tentar fazer com as próprias forças aquilo que só Deus pode realizar. Devemos saber não apenas quando chorar e orar, mas também quando esperar e orar.

Três declarações das Escrituras sempre nos tranquilizam quando ficamos agitados e queremos ir à frente do Senhor: “Aquietai-vos e vede o livramento do S e n h o r ” (Ê x 14:13); “Espera […] até que saibas em que darão as coisas” (Rt 3:18) e “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus” (Sl 46 :10). Quando esperamos no Senhor em oração, não estamos perdendo nosso tempo, mas sim o investindo.

Deus está nos preparando e arranjando as circunstâncias a nosso redor para que seus propósitos sejam cumpridos. Porém, quando chegar a hora certa de agir pela fé, não devemos, de modo algum, protelar, assim como Neemias fez, agiu tempo certo.

2. TEVE FÉ PARA PEDIR (Ne 2:4-8)

“Que me pedes agora?”, perguntou-lhe o rei. Neemias estava diante de uma oportunidade incrível! Aquela pergunta envolvia todo o poder e a riqueza do reino!

Como era seu costume, Neemias fez uma de suas “orações instantâneas” ao Senhor (4:4; 5:9; 6:9, 14; 13:14, 22, 29, 31). Não se esqueça, porém, de que essa oração emergencial teve por base quatro meses de jejum e oração. Se Neemias não estivesse orando diligentemente em particular, talvez essas “orações instantâneas” não tivessem sido respondidas. Como disse George Morrison: “Ele não teve mais do que um instante para fazer essa oração. O silêncio teria sido interpretado equivocadamente. Se tivesse fechado os olhos e se demorado numa prece devota, o rei teria suspeitado imediatamente de um caso de traição”.

Neemias não apenas orou por essa oportunidade, mas também fez planos para ela, de modo que tinha uma resposta pronta. Ao longo daqueles quatro meses de espera, havia refletido cuidadosamente sobre a questão e sabia exatamente qual seria sua abordagem àquela empreitada. Sua resposta ao rei pode ser resumida em dois pedidos: “Envia-me!” (Ne 2:4-6) e “Concede-me!” (vv. 7-10).

A resposta do rei é prova da soberania de Deus sobre tudo o que diz respeito às nações. Esperamos que Deus realize sua obra por meio de um servo consagrado como Neemias, mas nos esquecemos de que Deus também opera por intermédio de incrédulos a fim de realizar sua vontade. Por exemplo Ele usou Ciro para libertar seu povo da Babilônia (Is 44:28; 45:1; Ed 1:1, 2).

3 . TEVE FÉ PARA DESAFIAR A OUTROS (Ne 2:9-18 a)

Quando Neemias chegou a Jerusalém, pode constatar que a situação era exatamente aquela que seu irmão havia relatado: os muros não passavam de escombros e as portas haviam sido queimadas (Ne 2:13; 1:3). Os líderes não devem viver numa utopia. Antes, devem encarar os fatos com honestidade e aceitar tanto as más quanto as boas notícias. Durante a noite, Neemias viu mais coisas do que os habitantes da cidade eram capazes de ver durante o dia, pois não enxergou apenas os problemas, mas também o potencial. E isso o que faz um líder!

Diante de tal situação, firmado no Senhor ele desafiou os seus irmãos a edificarem os muros da cidade, como também foi capaz de fazer frente ao inimigo e de tratar sua oposição de modo eficaz. Assim que os membros do povo de Deus dão um passo de fé para fazer sua vontade, o inimigo aparece e tenta desanimá-los. Sambalate e Tobias ficaram sabendo da empreitada (v. 10) e chamaram Gesém para se juntar a eles em sua oposição aos judeus.

Se não fosse pela dedicação e determinação resultantes de sua fé num grande Deus, Neemias jamais teria aceitado o desafio nem terminado o trabalho. Certamente não havia lido esse versículo, mas aquilo que Paulo escreveu em 1 Coríntios 15:58 foi o que motivou Neemias até o fim: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão”.

Portanto meus irmãos, não importa a dificuldade da tarefa nem a intensidade da oposição, sejamos determinados! Como Dr. V. Raymond Edmand costumava dizer: “É sempre cedo demais para desistir”. Vamos lutar e trabalhar na certeza de que Deus proverá.

Adap. Pr. Eli Vieira

DAVI, UM JOVEM QUE FEZ DIFERENÇA

 



3º Domingo de maio Dia do Jovem Presbiteriano

1 Samuel 17.1-58

O escritor Charles R. Swindoll certa vez disse: “nosso mundo necessita desesperadamente de modelos dignos de serem seguidos. Heróis autênticos. Pessoas integras, cujas vidas nos inspirem a ser melhores”¹(1998, p.9).

Malala Yousafzai é uma jovem paquistanesa, já foram publicados livros, documentários e muito conteúdo na internet sobre Malala. Em muitos países, a educação é um direito básico para homens e mulheres, crianças e adultos. Mas no Paquistão, o Talibã proíbe as mulheres de estudar.

Isso fez com que a pequena Malala, na época com 11 anos de idade, começasse sua luta pelo direito à educação. Suas ações começaram a ganhar repercussão, e o Talibã começou a perseguir a menina até conseguir acertá-la com um tiro na cabeça e outro no pescoço. Ela sobreviveu e, depois disso, ganhou o prêmio Nobel da Paz, tudo isso na adolescência! E ela fez muita diferença: o Malala Fund hoje garante a educação de cerca de 130 milhões de meninas pelo mundo!4

O evangelista doutor Lucas ao falar sobre o Davi disse: “Porque na verdade, tendo Davi servido a sua própria geração, conforme os desígnios de Deus, adormeceu, foi para junto de seus pais e viu corrupção” (At. 13.36). Davi foi um jovem que fez diferença e marcou a sua geração conforme os propósitos divinos. Mas, devemos perguntar: porque Davi marcou a sua geração? No texto de 1 Samuel 17.1-58 podemos encontrar a resposta para a nossa indagação e aprendermos algumas lições.

1-PORQUE ELE NÃO TEMIA OS DESAFIOS (1 Samuel 17.32) – A vida de Davi foi marcada por lutas e desafios, desde a sua mocidade. Ainda jovem, como pastor de ovelhas enfrentou feras, tais como leão ou urso (1 Sm 17.34,35). Ao ser enviado, por seu pai, ao arraial do exército de Israel para levar alimentos e saber como seus irmãos estavam (1 Sm 17.17-19), o jovem Davi se deparou com uma cena inimaginável, o grande duelista filisteu desafiando o exército de Israel. Davi não teve medo do incircunciso Golias e dispõe-se a pelejar contra ele (1 Sm. 17.32). Ele não temeu o desafio, não olhou para o tamanho do guerreiro filisteu, mas estava pronto se possível a morrer, como disse o pastor Martin Luther King: “Se você não está pronto para morrer por alguma coisa, então você não está pronto para viver”, ele estava pronto a tirar a afronta de sobre Israel, o exército do Deus vivo (1 Sm.17.26), na certeza de que Deus lhe concederia a vitória independente do experiente gigante.

O Precursor da Reforma Protestante Jerônimo Savonarola (1452-1498) disse: “Se não houver inimigos, não há lutas, se não há lutas não a vitórias”. Jovens, irmãos, se queremos ser vitoriosos e marcar a nossa geração, precisamos enfrentar os desafios que surgem diante nós todos os dias, sem temor, assim como Davi. Não tema os desafios da vida, mas enfrente-os com coragem e fé, na certeza que Deus proverá.

2-PORQUE ELE NÃO DEU OUVIDOS A VOZ DOS CRÍTICOS E PESSIMISTAS (1 Samuel 17.28,33,42)-Quando o jovem Davi disse que iria enfrentar o gigante, ninguém o incentivou, antes ele foi criticado, desanimado, por seus irmãos e pelo rei Saul. Saul disse a Davi, que ele não poderia enfrentar Golias, porque ele era moço, e Golias guerreiro desde a sua mocidade (1 Sm 17.33), ele foi desprezado pelo gigante Golias (1 Sm 17.42). Contudo, Davi não deu ouvidos a voz dos críticos e pessimistas.

Quando olhamos para a vida do jovem Abraão Lincoln (1809-1865),  cheio de sonhos, antes de se tornar o presidente americano que decretou a emancipação dos escravos. Ele foi considerado um dos inspiradores da moderna democracia, tornou-se uma das maiores figuras da história americana. Elegeu-se Deputado por Illinois. Defendia a causa dos pobres e humildes. Formou-se em Direito. Elegeu-se Deputado Federal e incentivou a criação de novas industrias no Norte do país. Foi eleito o primeiro presidente pelo Partido Republicano, que ajudou a fundar. Foi o 16º presidente dos Estados Unidos. Enfrentou a Guerra da Secessão, por longo período de seu governo. Com a vitória do Norte, foi reeleito para presidente”. Parece que ele viveu em um tempo fácil, mas vejamos um pouco mais sobre a sua vida.

Abraham Lincoln (1809-1865) nasceu na cidade de Hardim no Kentucky, Estados Unidos. Filho dos camponeses Thomas Lincoln e Nancy Lincoln, quando pequeno viveu numa casa de madeira, a beira da floresta. Frequentou a escola durante um ano, quando em 1816 sua família mudou-se para Indiana. Com sete anos já trabalhava no campo. Ficou órfão aos nove anos de idade. Seu pai casa com Sarah Bush Johnston, que ficou responsável por sua instrução.

Abraham Lincoln teve vários empregos, foi lenhador, trabalhou numa serraria, foi barqueiro, balconista e Chefe dos Correios da Aldeia de Salem em Illinois. Como barqueiro, em 1831, navegava pelos rios Missisípi e Ohio, transportando mercadorias. Nas horas vagas se dedicava à leitura. Participou como Capitão voluntário, na luta contra os índios no sul do Estado. Foi chefe dos correios e trabalhou na demarcação de terras para o governo.

Em 1834 elegeu-se Deputado pela Assembleia de Illinois. Estudou Direito, formando-se em 1837. Trabalhou defendendo as causas dos pobres e humildes. Em 1842 casa-se com Mary Todd. Em 1846 elegeu-se Deputado Federal. Entre 1847 e 1849, foi representante de Illinois no Congresso, onde propôs a emancipação gradativa para os escravos, o que desagradou tanto aos abolicionistas quanto aos defensores da escravidão. Fez oposição a invasão de terras no México, mas no fim do conflito novas terras foram anexadas aos Estados Unidos. Sua posição o fez perder muitos votos. Lincoln fazia campanha para que essas novas terras ficassem livres da escravidão.

Concorreu para o senado, foi derrotado, afastou-se da política durante cinco anos. Seus discursos e debates em torno da escravidão os tornou conhecido e popular. Em 1854 participou da fundação do Partido Republicano.

Grandes transformações sociais ocorriam no país. Ao norte, desenvolvia-se uma rica e poderosa burguesia industrial e uma classe operaria organizada e numerosa, apoiada pelo Partido Republicano. Ao sul, consolidou-se a supremacia aristocrata rural, com grandes propriedades agrárias, apoiadas na monocultura e no trabalho escravo. A rivalidade política entre o Partido Democrata, dos aristocratas do sul, e o Partido Republicano da burguesia industrial do norte, gerava vários conflitos.

A guerra contra o México ampliara o território da União e não era possível prever se a população das novas terras se declararia a favor da escravidão. Instalou-se uma grande polêmica nacional. Lincoln assumiu atitude antiescravagista e transformou-se no paladino dessa tendência após o debate que travou com o senador democrata Stephen Douglas.

Em 1858, candidato ao Senado pelo novo Partido Republicano, perdeu as eleições para Douglas, mas tornou-se líder dos republicanos. Em 1860, disputou o pleito para a presidência da república e elegeu-se o 16º presidente dos Estados Unidos.

Ao iniciar seu governo, em 4 de março de 1861, Lincoln teve de enfrentar o separatismo de sete estados escravistas do sul, que formaram os Estados Confederados da América. O presidente foi firme e prudente: não reconheceu a secessão, ratificou a soberania nacional sobre os estados rebeldes e convidou-os à conciliação, assegurando-lhes que nunca partiria dele a iniciativa da guerra. Os confederados, porém, tomaram o forte Sumter, na Virgínia Ocidental.

Lincoln encontrou o governo sem recursos, sem exército e com uma opinião pública que lhe era favorável somente em reduzida escala. Com vontade férrea, profunda fé religiosa e confiança no povo, iniciou uma luta que primeiramente lhe foi adversa. Só conseguiu armar sete mil soldados, com os quais começou a guerra. Em apenas um ano, duplicou o Exército, organizou a Marinha e obteve recursos. Os confederados haviam consolidado sua situação, com a adesão de mais quatro estados aos sete sublevados. Em meados de 1863 chegaram à Pensilvânia e ameaçaram Washington. Foi nesse grave momento que se travou, em 3 de julho de 1863, a batalha de Gettysburg, vencida pelas forças do norte.

Lincoln, que decretara a emancipação dos escravos e tomara outras providências liberais, pronunciou, meses depois, ao inaugurar o cemitério nacional de Gettysburg, o célebre discurso em que definiu o significado democrático do governo do povo, pelo povo e para o povo, e que alcançou repercussão mundial.

A guerra continuou ainda por dois anos, favorável à União. Lincoln foi reeleito presidente em 1864. Em 9 de abril de 1865, os confederados renderam-se em Appomattox.

Embora considerado conservador ou reformista moderado no início da presidência, as últimas proposições de Lincoln foram avançadas. Preparava um programa de educação dos escravos libertados e chegou a sugerir que fosse concedido, de imediato, o direito de voto a uma parcela de ex-escravos. Inclinou-se também à exigência dos radicais por uma ocupação militar provisória de alguns estados sulistas, para implantar uma política de reestruturação agrária.

Em 14 de abril de 1865, Lincoln assistia a um espetáculo no Teatro Ford, em Washington, quando foi atingido na nuca por um tiro de pistola desferido por um escravista intransigente, o ex-ator John Wilkes Booth. Lincoln morreu na manhã do dia seguinte¹. Meus irmãos, jovens, assim como Davi, Lincoln enfrentou muitas críticas e os pessimistas e triunfou sobre todos. Ele não se deixou intimidar, ele não deu ouvidos a voz dos críticos e pessimistas, por isso marcou a sua geração e a história.

Meus irmãos, jovens, Deus está nos dando o privilégio de vivermos nesta geração, nesta atualidade desafiadora, sabemos que não é fácil, como não fora na época de Davi, de Lincoln, dos reformadores, mas confiados em Deus, não podemos nos intimidar diante dos críticos, pessimistas que tentam fazer com que você e eu possamos desanimar, desistir de lutar, mas se queremos fazer diferença e marcar esta geração, precisamos nos levantar e fazer a nossa parte na certeza de que o nosso trabalho não será em vão. Jovens, não podemos só ficar olhando para o passado, precisamos olhar para o nosso presente e perguntar: o que eu estou fazendo diferente para marcar a minha geração? Vamos começar fazendo coisas pequenas e Deus irá nos preparar para fazermos coisas grandes que ainda não sabemos.

3-PORQUE ELE LUTAVA EM NOME DO SENHOR DOS EXÉRCITOS (1 Samuel 17.37, 42)

O Jovem Davi decidiu lutar e enfrentar o gigante filisteu. É importante notarmos que Davi decidiu lutar, não em nome de Saul, de sua família, para ficar famoso, etc. Ele disse: eu vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos. O “nome” para os autores bíblicos, é mais que uma junção de letras, ele representa a própria essência da pessoa que o carrega.

Meus irmãos, o que Davi estava dizendo era: “SENHOR dos Exércitos” eu vou contra você Golias, firmado em Deus. O verdadeiro comandante supremo do seu povo escolhido, dos exércitos de Israel, o Deus todo poderoso, ontem, hoje e sempre. Ah! meu querido jovem, isto fez toda diferença na vida do guerreiro Davi e faz toda diferença ainda hoje. O jovem Davi não estava dizendo, eu não vou te enfrentar confiado em minhas experiências, nas minhas armas, no rei Saul, em minha família, em meus diplomas, mas eu vou lutar contra ti confiado naquele que nos dá a vitória, pois dele é a guerra, em nome do Deus Todo-poderoso, o rei dos reis, Senhor dos senhores .

 Muitos hoje estão vivendo desanimados, derrotados, sem expectativa porque foram derrotados e humilhados pelo inimigo. Perderam a batalha, porque confiaram em dinheiro, seus amigos, em seus títulos, em familiares, namorado(a)s, etc. Mas neste momento eu te convido a erguer a cabeça, e lutar em nome do Senhor.

O rei Josafá diante de uma confederação de inimigo, que se levantara contra Israel disse: “Ah! Senhor Deus, acaso, não executarás tu o teu julgamento contra eles? Porque em nós não há força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti”( 2 Cr. 20.12). Josafá confiou em Deus e o Senhor lhe deu a vitória, e assim os moradores daquelas terras viram quem era o Deus de Israel, como nos diz crônicas: “Veio da parte de Deus o terror sobre todos os reinos daquelas terras, quando ouviram que o Senhor havia pelejado contra os inimigos de Israel (2 Cr 20.29).

Jovem, irmão, em nome de quem você está enfrentando as dificuldades e os seus problemas hoje? Em nome de seus familiares, dos seus amigos, em nome do presidente, etc. Não, não, não!!! Levante-se, lute em nome do Senhor, ele não mudou, continua sendo o mesmo, tem em suas mãos o controle de tudo e de todas as coisas, só ele é quem pode nos dá a vitória sobre todos os gigantes que estão nos desafiando. O Senhor fala conosco através do profeta Isaías “Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei, não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel” (Isaías 41.9b,10).

4-PORQUE O SEU PROPÓSITO ERA A GLORIFICAR A DEUS (1 Samuel 17.46,47)-

O jovem Davi tinha um alvo que estava além da visão do exército de Saul, maior do que os seus compatriotas. Ele queria vencer o gigante filisteu para manifestar a glória de Deus, vede o que ele disse: “Hoje mesmo, o Senhor te entregará nas minhas mãos; ferir-te-ei, tirar-te-ei a cabeça e os cadáveres do arraial dos filisteus darei, hoje mesmo, às aves dos céus e às bestas-feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel. Saberá toda esta multidão que o Senhor salva, não com espada, nem com lança; porque do Senhor é a guerra, e ele vos entregará nas nossas mãos” (1 Sm 17.46,47).

O propósito principal de Davi era engrandecer o nome do Senhor em toda a terra. Não era fazer o seu nome conhecido, nem da sua família, mas glorificar o nome do Deus de Israel. Saberá toda terra que há um Deus que salva. Davi lutou para a glória de Deus e derrotou  o  gigante Golias e Israel venceu os filisteus.

 Paulo ao escrever aos irmãos da igreja de Corinto nos ensina dizendo: “ Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”. (1 Co.10.31). A pergunta de número um do Breve Catecismo de Westminster: Qual é o fim principal do homem? O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre³.

Jovens a pergunta que devemos fazer é: O que estou fazendo glorifica a Deus? Estou lutando para glorificar o nome do meu Salvador? Como nós podemos viver para a glória de Deus? Vivendo de conformidade com a Palavra de Deus, que é a nossa única regra para nos dirigir na maneira de o glorificar e gozar (Lc 24.27,44; 2 Pe 3.2, 15,16; 2 Tm 3.15-17; Jo 15.10,11; Is 8.20 e Jo 20.30,31).  Se vivermos firmados na Palavra do Senhor, nós não vamos temer os gigantes que se levantam contra nós, tentando nos intimidar e nos derrotar. Nós vamos marca a nossa geração e o mundo, e todos verão quem realmente é o nosso Deus, pois com ele somos mais que vencedores.

Algumas pessoas hoje, ao olharem para os heróis da fé do passado, falam: acho que eu nasci na época errada! Porque eu não nasci na época dos reformadores, Martinho Lutero, Calvino e Knox? Porque eu não vivi, na época do Grande Avivamento do século XVIII e fui amigo Jonathan Edwards, George Whitefield? Se, você ficar atento poderá ouvir Deus lhe falar: porque os meus desígnios para você jovem são para esta geração, para hoje, se coloque nas mãos de Deus e lute para a glória dEle. O mundo está para ver o que Deus pode fazer com um jovem totalmente entregue nas mão de Deus e que luta para a glória dEle.

Meu amado jovem, Deus está nos dando um grande privilégio de vivermos nesta geração, não podemos nos intimidar diante dos desafios que se levantam contra nós nesses dias, dos críticos e pessimistas ou dos gigantes que estão sempre diante de nós, mas vamos enfrentar os gigantes em nome do Senhor Deus, ne certeza que o Deus de Davi também é o nosso Deus. O mesmo Deus que deu tão grande vitória a Davi é o mesmo que dá a vitória hoje sem nos deixar levar por aqueles que não conhecem a Deus. Vamos lutar em nome do Senhor e para a glória do Senhor.

Referência Bibliográficas

1- Swindoll, Charles R. Davi: um Homem segundo o Coração de Deus. – 1ª Ed.– São Paulo: Editora Mundo Cristão, 1998

2-Frazão, Dilva. Biografia de Abraham Lincoln, Disponível em https://www.ebiografia.com/abraham_lincoln/ acesso em 08.08.2017

3- Martins, Valter Graciliano (organizador)-O Breve Catecismo. 1ª Ed. Especial – São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1991

4-https://www.yazigi.com.br/noticias/cultura/7-jovens-cidadaos-do-mundo-que-revolucionaram-a-historia

Sobre o autor Pr. Eli Vieira é formado pelo Seminário Presbiteriano do Norte e pastor efetivo da Igreja Presbiteriana Semear, Itabuna-BA.

A JORNADA TRIUNFAL DE UM HOMEM DE DEUS

 








INTRODUÇÃO

A nação de Israel dava passos largos e resolutos para o caos. Seus 19 reis foram todos ímpios. As oito dinastias foram uma sucessão de ambição, idolatria, traições e assassinatos.

Acabe começa a reinar e se não bastasse ser o pior rei, ainda se casa com a pior mulher do mundo: mandona, idólatra e assassina. Acabe se torna apenas um boneco em suas mãos.

Nesse cenário de perversão e apostasia é que surge Elias. Vejamos a escalada desse homem de Deus:

I. DEBAIXO DOS HOLOFOTES – NA CORTE REAL – 17:1

A mensagem – Elias surge com uma mensagem curta, contundente, bombástica e direta: Não vai chover nos próximos três anos. A credibilidade de Baal estará em baixa. Vou provar que esse ídolo não tem poder.

O nome – Elias é a resposta para a apostasia da nação. Para o povo que havia seguido a Baal, Elias significa “Jeová é o meu Deus”.

A origem de Elias é um golpe no orgulho dos poderosos. Ele vem de Tisbé, um lugar obscuro, desconhecido. Ele vem de lugar nenhum. Ele é um ilustre desconhecido, sem títulos, sem projeção humana. Ele não é um figurão. Deus não precisa de estrelas para fazer a sua obra.

A vida – Sua vida referenda seu ministério – ele vive na presença de Deus. Ele conhece a Deus. Ele tem intimidade com Deus.

II. ESCONDIDO DA MULTIDÃO – NO RIBEIRO DE QUERITE – 17:2-5

O método de Deus: A solidão do profeta – Deus tira Elias do palco, das luzes da ribalta, debaixo dos holofotes e envia-o para um lugar solitário, no esconderijo da solidão, para conviver apenas com os corvos. Deus queria proteger Elias e treiná-lo para uma grande obra. Para prevalecer em público é preciso ser treinado em secreto. Antes de Deus trabalhar através de nós, Deus precisa trabalhar em nós.

A obediência de Elias: Aprendendo a estar a sós com Deus – Elias não discute com Deus. Ele prontamente obedece. A sua agenda é a agenda de Deus. A sua prioridade é estar no centro da vontade Deus. Deus é mais importante do que a sua obra. Antes de fazer a obra de Deus precisamos conhecer a intimidade de Deus. Deus não quer ativismo. Ele quer nos treinar e nos capacitar para grandes aventuras.

Querite secou: Aprendendo a confiar em Deus – É fácil confiar em Deus quando a água do ribeiro está jorrando. O nosso ribeiro seca quando passamos pela prova na vida, no casamento, nas finanças, na saúde, nas amizades. O que fazer nessas horas? 1) O Deus que dá a água pode reter a água – Quando o nosso ribeiro seca precisamos entender que Deus está vivo e bem e que ele sabe o que está fazendo. Nosso nome está escrito na palma da sua mão. 2) O ribeiro seco era resultado da própria oração de Elias – As orações de Elias estavam sendo respondidas. Deus está nos treinando para a maturidade. O projeto de Deus é fazer de Elias um homem de Deus.

Lições de Querite: A pedagogia de Deus – 1) Precisamos entender o valor de ser usados em público e sermos treinados em secreto; 2) A direção de Deus inclui a provisão de Deus; 3) Precisamos aprender a confiar em Deus dia pós dia.

III. NO MOINHO DE DEUS – EM SAREPTA – 17:8-10

Refinado por Deus: ele está burilando a sua jóia – A palavra “Sarepta” significa fundir ou refinar. Sarepta quer dizer cadinho. Primeiro Deus levou Elias a Querite para ele se desacostumar dos holofes. Agora Deus aumenta o fogo da fornalha para derretê-lo e moldá-lo. A fornalha apenas consome as impurezas enquanto purifica o ouro.

Deus está no controle: Seu plano é perfeito – 1) Deus sabe onde Elias está (v. 8) – Não julgue que Deus o esqueceu, ou que Deus o abandonou. Foi ele quem o enviou a Querite. Ele sabe que a fonte secou. Ele sabe onde você está e o que está acontecendo com você. 2) Deus sabe aonde Elias está indo (v. 9) – Sarepta fica a 150 Km de Querite. Elias tinha que cruzar o território de Israel. Ele era uma espécie de foragido da justiça. Era o homem mais procurado: vivo ou morto. Para sair da solidão, e cruzar os campos e cidades, ele tinha que confiar em Deus. 3) Deus sabe a provisão que Elias vai ter (v. 9) – Essa é uma lição de humildade, ser sustentado por uma viúva pobre, faminta, à beira da morte. Elias foi a Sarepta esperando um pouco mais de provisão do que em Querite. Talvez ele não viesse a morrer de sede, mas parecia que ia ter uma fome de matar. Quase que Elias foi derrrotado pela primeira impressão. Você já sentiu vontade de mudar de emprego, mudar de igreja? 4) Quando estamos no lugar que Deus mandou, no tempo de Deus, nunca teremos falta da provisão de Deus (v. 16) – Nossa obediência precede a provisão. A viúva de Sarepta conheceu a Deus na cozinha.

Antes do milagre as coisas tendem a pior e muito – A viúva não era apenas pobre, mas agora está de luto. Seu único morre e ela coloca a culpa em Elias (v. 18). Elis fica em silêncio. Ela não se defende. Ele respeita a dor daquela mãe. Ele apenas pede para ela para colocar em seus braços o menino. Ele se desabafa com Deus (v. 19-20). Elias tem um lugar secreto de oração. Ele tem um lugar onde tem audiência com o céu. Elias se identifica com o menino morto (v. 21). Elias crê no impossível e o milagre acontece (v. 22). A mulher dá testemunho que ele é um homem de Deus (v. 24). A Palavra de Deus tem sido verdade em nossa boca?

IV. NA BATALHA DOS DEUSES – NO CARMELO – 18:1-2,19

Depois do treinamento, é tempo da ação – Elias é enviado de volta a Acabe, depois dos três anos e meio de seca. Antes Deus o mandou se esconder. Agora Deus fala: Mostre-se. Elias confronta o rei (v. 18), confronta o povo (v, 21) e confronta os profetas de Baal (v. 19,27). Alguém perguntou, certa feita para Alexandre, o grande: “Porque você conquistou o mundo todo? Porque eu não deixei essa decisão para depois”. Se o Cristianismo é um mito, abandonemo-lo. Se a Bíblia não é a verdade, queimemo-la. Se Jesus Cristo não é o Salvador, rejeitemo-lo, mas se ele é a nossa única esperança, voltemo-nos para ele de todo o nosso coração. Precisamos de crentes hoje que tenham coragem de viver em santidade e confrontar o pecado. O carmelo foi a batalha dos deuses. O Deus vivo desmantelou os ídolos de Baal. Os ídolos dos povos são nulos.

Antes de Deus se manifestar é preciso restaurar o altar que está em ruínas – O altar da oração, o altar da comunhão e o altar da fidelidade estavam em ruínas. Se queremos ver a manifestação de Deus, precisamos restaurar esse altar.

Quando o fogo do céu cai sobre o povo, o povo cai de joelhos (18:38-39) – Temos perdido a expectativa do sobrenatural. O nosso Deus está assentado no trono. Quando Deus se manifesta e o fogo de Deus desce do céu, o povo cai de joelhos. Até os mais céticos receberam uma prova de que Deus é real. Mas o maior de todos os milagres aconteceu no MONTE DO CALVÁRIO. Ali Jesus deu a sua vida por nós. Ali o sol cobriu o seu rosto. Ali as pedras partiram-se. Ali os túmulos foram abertos. Ali a porta do céu se abriu para os pecadores arrependidos.

O Elias que é exaltado diante dos homens, humilha-se diante de Deus – Ele sobe ao cume do carmelo não para ver os outros de cima para baixo, mas para orar humildemente, perseverantemente, vitoriosamente. Deus é o avalista da sua própria Palavra. O que ele promete, ele cumpre. Elias orou e os céus se prorromperam em abundantes chuvas.

Lições do Carmelo – 1) Quando temos a certeza de que estamos no centro da vontade de Deus somos invencíveis; 2) Obediência dividida é tão errada quanto idolatria declarada; 3) Quando Deus se manifesta através da oração dos seus servos, o povo se quebranta.

V. NA CAVERNA DA DEPRESSÃO – NO DESERTO – 19:9

Cuidado com a ressaca de uma grande vitória – Depois da retumbante vitória do Carmelo, quando Elias prevaleceu diante dos homens e diante de Deus, ele fragilizou-se e temeu e fugiu. Depois da vitória corremos o risco de baixar a guarda, arrear as armas e nos tornamos vulneráveis. As vitórias de ontem não são garantias de sucesso hoje.

Cuidado com as garras da depressão – O gigante de Deus está exausto, deprimido e pedindo para morrer. Por que? 1) Porque seus pensamentos estão confusos (19:2-3) – A ameaça não vem de Deus, mas de Jezabel. Elias já sabia que Deus é quem está no controle; 2) Porque ele se afasta dos relacionamentos encorajadores (19:3b) – A solidão não é um bom remédio para quem está deprimido; 3) Porque ele estava fisica e emocionalmente exausto (19:4-5) – O tratamento de Deus a Elias foi à base da sonoterapia e de uma boa alimentação; 4) Porque Elias se rendeu à autopiedade (19:4,9) – Deus trata de Elias dando a ele a oportunidade de desabafar e mostrando para ele que ele não apenas não estava sozinho como também o seu ministério ainda não tinha chegado ao fim. Elias tinha que ungir um rei no lugar de Acabe e um profeta em seu próprio lugar. A vida continua e Deus tem coisas maiores para realizar por nosso intermédio.

VI. NO GLORIOSO ARREBATAMENTO – NO JORDÃO – 2 Reis 2:6-12

Do anonimato à glória mais explêndida – Na corte de Acabe, Elias foi boca de Deus; em Querite foi quebrantado por Deus; em Sarepta foi lapidado por Deus; no Carmelo foi usado por Deus; na caverna foi restaurado; mas, no Jordão foi arrebatado por Deus. Antes de passar pelo Jordão, ele passou por Gilgal o lugar da salvação; por Betel o lugar da oração e também, por Jericó, o lugar da batalha. Mas depois chegou no Jordão, o lugar do arrebatamento. Elias é um símbolo do precursor de Jesus e do próprio Jesus. João Batista veio na força e no espírito de Elias. Quando Jesus perguntou: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mt 16:13-14). Quando Jesus apareceu em glória no monte da Transfiguração, Elias apareceu em glória juntamente com Moisés para falar com ele sobre sua partida para Jerusalém (Mt 17:3). Elias foi arrebatado ao céu sem experimentar a morte. Em toda a história da humanidade, somente Enoque e ele não passaram pela morte.

O arrebatamento de Elias é um prenúncio de glória para a igreja de Cristo – Um dia também, todos nós que cremos em Cristo, seremos arrebatados para encontrar o Senhor nos ares. Aqueles dormiram em Cristo, ressuscitarão com um corpo imortal, glorioso, poderoso e celestial. Os que estiverem vivos serão transformados e arrebatados para encontrar o Senhor nos ares e assim estaremos para sempre com o Senhor.

CONCLUSÃO

Você tem andado na presença de Deus como Elias? Tem se sujeitado ao tratamento de Deus? Tem aprendido a depender de Deus? Tem passado pelo cadinho de Deus? Tem tido coragem para confrontar o pecado? Tem recebido a cura para os seus próprios medos? Tem a certeza de muito em breve cruzaremos o nosso jordão e seremos levados para o céu?

Que Deus nos ajude a conhecer a Deus e a andar com Deus como Elias andou.

Rev. Hernandes Dias Lope

quinta-feira, 12 de maio de 2022

SANTIDADE AO SENHOR

 


Sem a qual ninguém verá a Deus

Texto: Hebreus 12.14-16

J. C. Ryle, um Bispo em Liverpool, do século XIX, estava certo: “Precisamos ser santos, porque esse é um supremo fim e propósito pelo qual Cristo veio ao mundo… Jesus é um Salvador completo. Ele não retira, meramente, a culpa do pecado do que crê, ele vai além… rompe o seu poder (1 Pe 1.2; Rm 8.29)”.

Em seu livro A Redescoberta da Santidade, J. I. Packer afirma que O CRENTE DOS DIAS DE HOJE ENXERGA A SANTIDADE COMO ALGO OBSOLETO.

Santidade evidente é o plano de Deus para seu povo, expresso no Antigo e no Novo Testamentos: “VÓS ME SEREIS REINO DE SACERDOTES E NAÇÃO SANTA” (Ex 19.6).

Meus irmãos, a vida cristã é como uma corrida. E como devemos correr (12.1). … corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta.

Três verdades são aqui destacadas. Em primeiro lugar, precisamos relembrar a Palavra de Deus (12.5,6). Em segundo lugar, precisamos atentar para o cuidado paternal de Deus (12.7- 9).  Em terceiro lugar, precisamos ter convicção do elevado propósito de Deus (12.10,11).

Uma atitude a assumir (12.12-17) A vara da disciplina pode produzir em nós atitudes de desânimo ou revolta. Por isso, o autor orienta os crentes a assumirem uma atitude certa ante a disciplina.

Devemos manter uma relação certa com Deus e com os homens (12.14). Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Uma vez que Deus é o Deus da paz (13.20), que através do nosso Melquisedeque, o rei da paz (7.2), tem nos trazido da desarmonia para a paz e da alienação para a reconciliação, devemos, em nossos relacionamentos diários, lutar pela paz com todos os homens.

            No nosso viver existem pensamentos, motivações, atitudes, hábitos, prioridades, amores, ódios, confiança, opiniões e muitas outras coisas que entristecem o Senhor.

A união entre paz e santificação aqui é uma advertência implícita de que não devemos buscar a paz a ponto de comprometer a santificação. O cristão busca a paz com todos, mas busca a santidade também, e esta não pode ser sacrificada por aquela.

A sã doutrina protestante e evangélica será inútil, se não for acompanhada por uma vida santa. Tenho a firme impressão de que precisamos de um completo reavivamento acerca da santidade bíblica. Por quê?

1-NOS FAZ PERCEBER A PECAMINOSIDADE DO PECADO

-O pecado é a transgressão da lei. 1 João 3.4. Aquele que desejar ter pontos de vista corretos sobre a santidade cristã terá de começar examinando o vasto e solene assunto do pecado. Conceitos errôneos sobre a santidade geralmente advêm de ideias distorcidas quanto à corrupção humana.

A verdade absoluta é que o correto conhecimento do pecado jaz à raiz de todo o cristianismo salvífico. Sem ele, doutrinas como justificação, conversão e santificação serão apenas “palavras e nomes” que não transmitem qualquer sentido à nossa mente. Portanto, a primeira coisa que Deus faz quando quer tornar alguém em uma nova criatura em Cristo é iluminar-lhe o coração, mostrando-lhe que ele é um pecador culpado.

Se um homem não percebe a natureza perigosa da doença de sua alma, ninguém poderá admirar-se de que ele se contente com remédios falsos ou imperfeitos. Acredito que uma das principais necessidades da igreja, neste nosso século, tem sido e continua sendo um ensino mais claro e completo sobre o pecado.

1. Começarei o assunto fornecendo uma definição de pecado. Naturalmente, todos estamos familiarizados com os termos “pecado” e “pecadores”. Com frequência, dizemos que o “pecado” está no mundo e que os homens cometem “pecados”. Digo, ademais, que “um pecado”, falando mais particularmente, consiste em praticar, dizer, pensar ou imaginar qualquer coisa que não esteja em perfeita conformidade com a mente e a lei de Deus. Em resumo, segundo as Escrituras, “o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3.4).

Até mesmo um de nossos poetas disse, com toda a verdade: “Um homem pode sorrir, sorrir e ainda ser um vilão”.

Foi uma declaração profunda e bem pensada do santo arcebispo Usher, pouco antes de sua morte: “Senhor, perdoa-me de todos os meus pecados, sobretudo dos meus pecados de omissão”.

2. Concernente à origem e fonte dessa vasta enfermidade moral chamada “pecado” também me sinto na obrigação de dizer algo. Temo que as ideias de muitos crentes professos quanto a esse particular, são tristemente defeituosas e doentias. Portanto, fixemos em nossa mente que a pecaminosidade de um homem não começa pelo lado de fora e sim pelo lado de dentro.

3. No tocante à extensão dessa vasta enfermidade moral do homem, chamada pecado, cuidemos para não errar. A única base segura é aquela dada pelas Escrituras. “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”; “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Gn 6.5; Jr 17.9). O pecado é um mal que permeia e percorre todas as partes de nossa constituição moral, bem como cada faculdade de nossa mente. A compreensão, os afetos, o poder de raciocínio, a vontade; tudo está, em certa medida, infeccionado pelo pecado.

Em suma, “Desde a planta do pé até à cabeça não há nele cousa sã, senão feridas, contusões e chagas inflamadas” (Is 1.6). O mal pode ser velado sob uma fina cortina de cortesia, polidez, boas maneiras ou decoro exterior; mas jaz profundamente em nossa constituição.

4. Acerca da culpa, da vileza e da ofensa do pecado aos olhos de Deus. Ele é Aquele que lê os pensamentos e os motivos, e não só as ações, e que requer “a verdade no íntimo” (Jó 4.18; 15.15; Sl 51.6). Nós, por outro lado – criaturas pobres e cegas, hoje aqui e amanhã acolá, nascidos no pecado, cercados de pecadores, vivendo em uma constante atmosfera de fraqueza, enfermidade e imperfeição – não podemos formar senão os mais inadequados conceitos sobre a hediondez do pecado.

 Somente quando Cristo vier pela segunda vez, perceberemos realmente a “pecaminosidade do pecado”. Com razão terá dito George Whitefield: “O hino no céu será: Que coisas tem feito Deus!” (Nm 23.23).

5. Resta apenas um ponto a ser considerado sobre o assunto do pecado, o qual não ouso esquecer. Esse ponto é a sua propensão para enganar. Trata-se de algo de capital importância e não tem recebido a atenção que merece. O que significam palavras como “precipitado”, “festeiro”, “extravagante”, “inconstante”, “impensado” e “folgado”? Elas demonstram que os homens procuram enganar-se, crendo que o pecado não é tão pecaminoso quanto Deus afirma.

Quanto mais nos avizinhamos do céu, tanto mais somos revestidos de humildade. Em todas as eras da Igreja, se estudarmos as biografias, será encontrada uma verdade: a de que os santos mais eminentes – homens como Bradford, Rutherford e M’Cheyne – sempre foram os mais humildes entre os homens.

Resta-me apenas salientar alguns usos práticos que podemos fazer da completa doutrina do pecado de modo proveitoso para estes nossos dias.

a. Em primeiro lugar, o ponto de vista bíblico sobre o pecado é um dos melhores antídotos para aquele tipo vago, nebuloso e indefinido de teologia tão dolorosamente popular nesta nossa época.

 b. Em segundo lugar, o ponto de vista bíblico sobre o pecado é o melhor antídoto para a teologia extravagantemente liberal e permissiva que está tão em voga na nossa época.

c. Em terceiro, o correto ponto de vista sobre o pecado é o melhor antídoto para aquele tipo de cristianismo sensitivo, cerimonial e formal que tem varrido a nossa terra como um dilúvio nestes últimos vinte e cinco anos, levando tantos consigo.

d. O correto ponto de vista sobre o pecado é o melhor antídoto para as teorias forçadas do perfeccionismo, acerca das quais tanto ouvimos falar nestes últimos tempos.

e. Em último lugar, o ponto de vista bíblico sobre o pecado mostra ser um admirável antídoto para os conceitos inferiores de santidade pessoal que tanto prevalecem nestes últimos dias na Igreja. Sei que esse é um assunto extremamente doloroso e delicado, mas não ouso evitá-lo. Há muito tem sido minha triste convicção, que o padrão de vida diária entre os cristãos professos está baixando cada vez mais.

Temo que amor cristão, delicadeza, bondade, altruísmo, mansidão, gentileza, benignidade, abnegação, zelo pelo bem e separação do mundo são muito menos apreciados hoje em dia do que deveriam ser e do que costumavam ser nos dias dos nossos antepassados.

 Estou convencido de que o primeiro passo para quem quer atingir um elevado padrão de santidade é perceber plenamente a tremenda pecaminosidade do pecado.

 2- A VERDADEIRA SANTIFICAÇÃO É OPERADA PELO ESPÍRITO

Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. João 17.17. Pois, esta é a vontade de Deus, a vossa santificação. 1 Tessalonicenses 4.3.

Esse é um assunto de máxima importância para a nossa alma. Há três coisas que, de acordo com a Bíblia, são absolutamente necessárias para a salvação de todo homem e mulher na cristandade. Essas três coisas são justificação, regeneração e santificação.

Em dias como os nossos, examinar com calma esse assunto, como uma das grandes doutrinas básicas do evangelho, pode ser de grande utilidade para a nossa alma.

1. A NATUREZA DA SANTIFICAÇÃO- A santificação é aquela operação espiritual interna que o Senhor Jesus Cristo realiza em uma pessoa pelo Espírito Santo, quando Ele a chama para ser um crente verdadeiro.

O instrumento mediante o qual o Espírito efetua essa obra geralmente é a Palavra de Deus, embora algumas vezes use as aflições e as visitas providenciais “sem palavra alguma” (1 Pe 3.1).

O beneficiário dessa operação de Cristo, mediante o seu Espírito, é chamado nas Escrituras de homem “santificado”.

O Senhor Jesus realizou tudo quanto é necessário para as almas de seu povo; não somente para livrá-los da culpa do pecado, mediante a sua morte expiatória, mas também para livrá-los do domínio dos seus pecados, conferindo o Espírito Santo aos seus corações; não somente para justificá-los, mas também para santificá-los. Portanto, Ele não é apenas a sua “justiça” mas também é a sua “santificação” (1 Co 1.30).

 1. A santificação, pois, é o invariável resultado da união vital com Cristo, que a verdadeira fé confere a um crente: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto” (Jo 15.5). Aquele que tem uma esperança real e viva em Cristo purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro (Tg 2.17-20; Tt 1.1; Gl 5.6; 1 Jo 1.7; 3.3).

2. A santificação, uma vez mais, é o resultado e a consequência inseparável da regeneração. Uma regeneração que permite que um homem viva descuidadamente no pecado ou no mundanismo é uma regeneração inventada por teólogos sem inspiração, mas jamais mencionada nas Escrituras. Resumindo, onde não há santificação, também não há regeneração, e onde não há vida santa, também não há novo nascimento.

3. A santificação, uma vez mais, é a única evidência indiscutível da presença habitadora do Espírito Santo, algo essencial à salvação. “E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). O selo estampado sobre o povo de Deus, pelo Espírito Santo, é a santificação. Todos quantos realmente “são guiados pelo Espírito de Deus”, esses são “filhos de Deus” (Rm 8.14).

4. Além disso, a santificação é o único sinal seguro da eleição divina. Sem dúvida, os nomes e o número dos eleitos são segredos, os quais Deus, sabiamente, reservou para a sua própria autoridade, não os revelando ao homem.

Por conseguinte, quando o apóstolo Paulo percebeu a “fé” atuante, o “amor” operante e a “esperança” paciente dos crentes de Tessalônica, disse: “reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição” (1 Pe 1.2; 2 Ts 2.13; Rm 8.29; Ef 1.4; 1 Ts 1.3-4). Aquele que se orgulha de ser um dos escolhidos de Deus enquanto voluntária e habitualmente vive em pecado; está apenas enganando a si mesmo e proferindo ímpias blasfêmias.

O catecismo da nossa igreja ensina, de forma correta e sábia, que o Espírito Santo “santifica todos os eleitos de Deus”.

5. A santificação, por semelhante modo, é algo que sempre será visto. À semelhança do grande Cabeça da Igreja, de onde ela emana, a santificação não pode ser ocultada. Toda árvore é reconhecida pelo seu próprio fruto (Lc 6.44). Uma pessoa verdadeiramente santificada pode ser tão humilde que nada veja em si mesma, senão fraqueza e defeitos.

6-A santificação genuína manifesta-se no respeito habitual à lei de Deus, bem como no esforço habitual por viver na obediência a ela como a grande regra de vida.

 7. A santificação é algo que admite crescimento e graus de intensidade. Um homem pode seguir um passo após o outro em sua santidade, estando muito mais santificado em um período de sua vida do que em outro.

 Em suma, eles “crescem na graça”, conforme o apóstolo Pedro exorta os crentes a fazerem; e conforme diz o apóstolo Paulo, eles continuam “progredindo cada vez mais” na santificação (2 Pe 3.18; 1 Ts 4.1).

 A santificação também é algo que depende em muito do uso diligente dos meios bíblicos. Quando falo em “meios”, tenho em vista a leitura da Bíblia, a oração privada, a frequência regular à adoração pública, o ouvir constante da Palavra de Deus e a participação regular na Ceia do Senhor.

Deus opera através de meios e Ele nunca abençoará uma alma que finja ser tão elevada e espiritual que possa dispensar esses exercícios, como se eles fossem desnecessários.

A santificação, por igual modo, é algo que não impede que um homem experimente intenso conflito espiritual interior. Por conflito entendo aquela luta no íntimo, no coração, entre as naturezas antiga e nova, a carne e o espírito, as quais podem ser encontradas juntas em todo crente (Gl 5.17).

O coração do mais piedoso crente, em seus melhores momentos, é um campo ocupado por duas forças rivais.

            A santificação, em último lugar, é absolutamente necessária para nos treinar e nos preparar para o céu. A maioria dos homens espera chegar ao céu quando morrerem; mas bem poucos, o que é de se temer, preocupam-se em considerar se conseguirão apreciar o céu, se ali chegarem. Teremos de ser santos antes de morrer, se quisermos ser santos quando estivermos na glória.

 Na minha consciência, creio que elas servirão para ajudar as pessoas a terem uma compreensão mais clara sobre a santificação.

3 -A SANTIDADE IMPLICA EM VIDA PRÁTICA

A santificação [santidade], sem a qual ninguém verá o Senhor. Hebreus 12.14

O texto acima esclarece um tema de profunda importância. Trata-se da santidade prática. Ele sugere um questionamento que requer a atenção de todos os cristãos professos, a saber: Somos santos? Veremos o Senhor?

Esta pergunta diz respeito aos homens de todas as classes e condições. Alguns são ricos, outros, pobres; alguns eruditos, outros, ignorantes; alguns patrões, outros, empregados. Não obstante, não há classe nem posição social na qual um homem não deva ser santo. Somos santos?

É algo muito solene ouvirmos a Palavra de Deus afirmar: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Mas agora procurarei apresentá-lo de uma maneira mais clara e prática.

1. A NATUREZA DA VERDADEIRA SANTIDADE PRÁTICA

No que consiste a santidade prática? Esta é a pergunta difícil de se responder. Não quero dizer com isso que as Escrituras pouco se manifestam sobre o assunto.

a. A santidade é o hábito de ter a mesma mente de Deus à medida que tomamos conhecimento da sua mente, descrita nas Escrituras. b. Um homem santo se esforçará por evitar todo pecado conhecido, observando cada mandamento revelado. c. Um homem santo esforçar-se-á por ser semelhante ao Senhor Jesus Cristod. Um homem santo seguirá a mansidão, a longanimidade, a gentileza, a paciência, a brandura, o controle sobre a própria língua. e. Um homem santo seguirá o autocontrole e a abnegação. f. Um homem santo seguirá o amor e a fraternidade. g. O homem santo seguirá o espírito de misericórdia e benevolência para com o próximo. Não ficará ocioso o dia inteiro. Não se contentará apenas por não estar prejudicando a ninguém, mas procurará fazer o bem. h. O homem santo seguirá a pureza de coração. i. Um homem santo será caracterizado pelo seu temor a Deus. Quão nobre é o exemplo de Neemias a esse respeito! Ele não poderia ser acusado de coisa alguma, se tivesse seguido o exemplo deles. Contudo, ele disse: “Porém, eu assim não fiz, por causa do temor de Deus” (Ne 5.15). j. O homem santo seguirá a humildade e sua atitude será de considerar os outros superiores a si mesmol. Um homem santo seguirá a fidelidade em todos os seus deveres e relações da vidam. Em último lugar, e não menos importante, um homem santo se caracterizará por uma mentalidade espiritual.

 O consagrado Bradford, fiel mártir de Cristo, algumas vezes encerrava suas cartas com estas palavras: “Um miserável pecador, John Bradford”. O idoso e bom Grimshaw, quando jazia em seu leito de morte, expressou as suas últimas palavras: “Aqui vai um servo inútil”.

Owen escreveu, com toda a razão: “Não posso entender como um homem pode ser um crente verdadeiro, se para ele o pecado não é a maior carga, a maior tristeza e o maior motivo de perturbação”. Essas são as características fundamentais da santidade prática. Examinemos a nós mesmos para verificar se estamos familiarizados com elas ou não. Submetamo-nos à prova.

2. A IMPORTÂNCIA DA SANTIDADE PRÁTICA

Por qual motivo a santidade é tão importante? Por que disse o escritor sagrado: “A santificação [santidade], sem a qual ninguém verá o Senhor”? Permita-me expor algumas razões que explicam isso.

a. Acima de tudo, devemos ser santos porque a voz de Deus, nas Escrituras Sagradas, assim nos ordena claramente. Diz o Senhor Jesus ao seu povo: “Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5.20); “Sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48). b. Porque essa é a grandiosa finalidade e propósito daquilo que Cristo veio fazer no mundo. Paulo escreveu aos efésios, escreveu: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse” (Ef 5.25,26 ).c. Porque essa é a única evidência segura de que possuímos fé salvadora em nosso Senhor Jesus Cristo.  Traill declarou, com muita verdade: “O estado de um homem é nulo e a sua fé, doentia, se as suas esperanças da glória não estiverem purificando o seu coração e a sua vida”. d. Porque essa é a única prova de que amamos o Senhor Jesus Cristo com sinceridade. Esse é um ponto acerca do qual Ele falou nos mais claros termos em João 14 e 15: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama”. “Se alguém me ama, guardará a minha palavra”. “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo 14.15,21,23 e 15.14).

 Declarou Gurnall: “Nunca afirmes que tens sangue real nas veias, que nasceste de Deus, a menos que possas provar a tua descendência, ousando viver de maneira santa”.

 f. Devemos ser santos por ser essa a maneira mais provável de fazer o bem ao próximo. O dia do julgamento mostrará que muitos, além de maridos, serão conquistados por uma vida “sem palavra alguma” (1 Pe 3.1). g. Porque sem a santidade na terra nunca estaremos preparados para desfrutar do céu. O céu é um lugar santo. O Senhor do céu é um Ser santo. Os anjos são criaturas santas. A santidade está estampada em tudo quanto existe no céu. O livro de Apocalipse expressa: “Nela nunca jamais penetrará cousa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira!” (Ap 21.27).

E agora, antes que eu prossiga, permita-me dizer algumas poucas palavras de aplicação.

 1. Antes de tudo, quero indagar de todos quantos estão me ouvindo: “Você é santo”? Rogo-lhe que escute a pergunta que lhe estou apresentando neste dia. Você conhece alguma coisa a respeito da santidade da qual venho falando?

Não estou perguntando se você frequenta regularmente os cultos de sua igreja ou se você já foi batizado, ou se costuma participar da Ceia do Senhor, ou se você tem o nome de cristão. Estou perguntando algo muito mais profundo do que isso: Você é santo, ou não?

Mas, por qual motivo estou perguntando de um modo tão direto, insistindo tanto nessa questão? Assim o faço porque as Escrituras determinam: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Isso está escrito. Não é fantasia minha, está na Bíblia; não é a minha opinião particular, é a Palavra de Deus e não a palavra do homem: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Você, provavelmente, responderá: “Essas declarações são extremamente duras. O caminho é muito estreito”. A minha resposta será: “Sei disso. Assim afirma o Sermão do Monte”. Na religião, assim como em outras áreas, “não há avanço sem sofrimento”. Aquilo que nada custa, nada vale.

 Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus quem o disse e Ele não retrocederá: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Observou Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”.

2. Agora, desejo me dirigir aos crentes por um momento. A esses pergunto o seguinte: “Você percebe a importância da santidade tanto quanto deveria perceber?” Todas as pessoas justificadas são santificadas, e todas as pessoas santificadas foram justificadas. Portanto, aquilo que Deus ajuntou, não ouse o homem separar

Rutherford disse: “O caminho que diminui a importância dos deveres e da santificação não é o caminho da graça. Os atos de crer e fazer são amigos que fizeram um pacto de sangue”.

Não é verdade que precisamos de um padrão mais elevado de santidade pessoal nestes nossos dias? Onde está a nossa paciência? Onde está o nosso zelo? Onde está o nosso amor? Onde estão as nossas boas obras? Onde está a força da religião cristã a ponto de ser percebida, conforme se via nos tempos de outrora? Onde está aquele inequívoco tom, capaz de abalar o mundo que costumava distinguir os santos da antiguidade?

Em uma palavra, quais são os sinais visíveis de um homem santificado? O que poderíamos esperar ver nele? A verdadeira santificação, pois, não consiste em conversar sobre: assuntos religiosos, sentimentos religiosos passageiros, em formalismo externo ou em devoção exterior,  em nos retirarmos de nossas ocupações comuns da vida, renunciando aos nossos deveres sociais.

A santificação genuína manifesta-se através da obediência, que nosso Senhor exemplificou de forma tão bela, especialmente no caso da graça do amor. “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.34,35).

CONCLUSÃO

Você quer ser santo? Você quer se tornar uma nova criatura? Então terá de começar com Cristo. Você simplesmente não conseguirá fazer coisa alguma e nem obterá qualquer progresso, enquanto não sentir o seu pecado e fraquezas, e não fugir para Ele.

A santidade é a obra que Ele efetua nos corações dos crentes, através do Espírito que Ele lhes proporciona no íntimo. Cristo foi nomeado para ser “Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados”. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (At 5.31 e Jo 1.12).

Adap. Pr. Eli Vieira

Pedro: Transformado para Servir

 

 



João 21

A queda de Pedro foi muito triste, mas a sua restauração foi maravilhosa, onde podemos ver a graça incomparável do Senhor Jesus para com o pobre pecador.

Este capítulo é dedicado, basicamente, ao apóstolo Pedro, companheiro de ministério muito próximo de João (At 3:1). João não desejava terminar seu Evangelho sem contar aos leitores que Pedro havia sido restaurado a seu apostolado. Sem essas últimas informações, seria difícil entender a posição tão proeminente que Pedro ocupa nos doze primeiros capítulos do Livro de Atos.

Neste capítulo podemos aprender algumas lições como cristãos transformados pela graça de Deus, cada uma, com uma respectiva responsabilidade, como:

 1 . PESCADORES DE HOMENS – DEVEMOS OBEDECER AO SENHOR (Jo 21:1-8)

O Senhor havia instruído seus discípulos a se encontrarem com ele na Galileia, o que explica por que estavam no mar da Galileia ou mar de Tiberíades (Mt 26:32; 28:7-10; Mc 16:7). Mas João não diz por que Pedro decidiu ir pescar, e os estudiosos da Bíblia não apresentam um consenso quanto a essa questão. Alguns afirmam que estava fazendo algo perfeitamente legítimo, pois, afinal, precisava pagar suas contas, e a melhor maneira de levantar seu sustento era pescar. Por que ficar ocioso? Mãos à obra!

Talvez a impulsividade e a presunção de Pedro estivessem se revelando novamente. Foi sincero, trabalhou com afinco noite toda, mas não obteve resultados – como acontece com alguns cristãos na obra do Senhor! Acreditam sinceramente que estão fazendo a vontade de Deus, mas seu trabalho é em vão. Estão servindo sem orientação de Deus e não podem esperar as bênçãos dele.

                Era hora de Jesus assumir o controle da situação, exatamente como havia feito quando chamou Pedro para ser seu discípulo. Disse-lhes onde lançar as redes, e eles obedeceram e pegaram 153 peixes! Nunca estamos longe do sucesso quando permitimos que Jesus dê as ordens e, normalmente, estamos mais próximos do sucesso do que imaginamos.

2 . PASTORES – DEVEMOS AMAR AO SENHOR (Jo 21:9-18 )

 Jesus encontrou-se com seus discípulos na praia, onde já havia preparado um café da manhã para eles. Essa cena toda deve ter trazido fortes memórias a Pedro e tocado sua consciência. Sem dúvida, se lembrou daquela primeira pescaria (Lc 5:1-11), talvez da ocasião em que Jesus alimentou os 5 mil com pão e peixe (Jo 6). Foi no final desse último acontecimento que Pedro fez sua confissão explícita de fé em Jesus Cristo (Jo 6:66-71). As brasas na areia provavelmente o lembravam do braseiro junto ao qual havia negado ao Senhor (Jo 18:18). É bom recordar o passado, pois podemos ter algo a confessar.

O elemento-chave é o amor de Pedro pelo Senhor, e esse também deve ser o elemento central hoje. Mas a que Jesus se referia quando perguntou: “Amas-me mais do que estes outros?” Essa pergunta provavelmente queria dizer: “Você me ama – como você mesmo afirmou – mais do que os outros discípulos me amam?” A imagem muda, então, do pescador para o pastor, Pedro estava sendo restaurado. Pedro deveria ministrar tanto como evangelista (pegando peixes) quanto como pastor (cuidando do rebanho). É triste separar essas duas coisas, pois devem sempre andar juntas.

Por certo, o Espírito Santo prepara os que devem servir como pastores e coloca essas pessoas nas igrejas (Ef 4:11 ss), mas cada cristão, como indivíduo, também deve ajudar a cuidar do rebanho. Cada um de nós recebeu um ou mais dons do Senhor, e devemos usar o que ele nos deu para ajudar a proteger e aperfeiçoar o rebanho. As ovelhas têm a tendência de se perder, portanto devemos cuidar uns dos outros e nos exortar mutuamente.

3 . DISCÍPULOS – DEVEMOS SEGUIR AO SENHOR (Jo 2 1 : 1 9 – 2 5 )

Jesus havia acabado de falar sobre a vida e o ministério de Pedro e, agora, trata de sua morte. Pedro deve ter estremecido ao ouvir o Senhor discutir sua morte de maneira tão clara. Sem dúvida, Pedro sentia-se alegre por ter sido restaurado à comunhão e ao apostolado. Por que, então, falar do martírio?

  Um pouco antes, naquela manhã, Pedro “cingiu-se” e lançou-se ao mar rumando para a praia (Jo 21:7). Um dia, alguma outra pessoa o cingiria – e o executaria (ver 2 Pe 1:13,14). Diz a tradição que, de fato, Pedro foi crucificado, mas que pediu para ser colocado de ponta cabeça na cruz, pois não era digno de morrer exatamente da forma como seu Mestre havia morrido.

Jesus Cristo transformou a de seus discípulos, e ainda hoje transforma vidas. Onde quer que encontre alguém que creia e que esteja disposto a sujeitar-se a sua vontade, a ouvir sua Palavra e a seguir seu caminho, começa a transformar essa pessoa e a realizar coisas extraordinárias por meio dela.

Exceto pelos relatos bíblicos, Pedro e João saíram de cena há séculos, mas nós ainda estamos aqui. Trata-se de um grande privilégio e de uma responsabilidade enorme! Só seremos bem-sucedidos à medida que permitimos que o Senhor nos transforme.

Ad. Pr. Eli Vieira

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