quinta-feira, 9 de outubro de 2025

O Poder dos Pequenos Começos

A essência dos Pequenos Começos

Zacarias 4:10-12

      Em um mundo que frequentemente glorifica o grandioso e o instantâneo, a mensagem sussurrada em Zacarias 4:10-12 ressoa com uma profundidade surpreendente, convidando-nos a reavaliar nossa perspectiva sobre os inícios modestos. Este trecho bíblico, embora conciso, desdobra uma verdade fundamental: a importância e o poder inerentes aos pequenos começos, especialmente quando estes estão alinhados com um propósito maior.

O versículo central, Zacarias 4:10a, adverte diretamente: "Pois quem despreza o dia dos pequenos começos?". Esta pergunta retórica serve como um farol, iluminando a tendência humana de subestimar ou até mesmo desdenhar os esforços iniciais, as sementes que ainda não germinaram completamente. No contexto da reconstrução do templo em Jerusalém, após o exílio babilônico, o povo poderia facilmente desanimar diante da magnitude da tarefa e da aparente insignificância dos seus progressos diários. No entanto, o profeta Zacarias,  inspirado divinamente, oferece uma perspectiva radicalmente diferente.

A alegria divina, mencionada na continuação do versículo, está justamente em observar o prumo – um instrumento de medição e retidão – nas mãos de Zorobabel, o governador encarregado da reconstrução. Este prumo simboliza o trabalho diligente, a atenção aos detalhes e o compromisso com o alinhamento correto, mesmo quando os resultados ainda não são visíveis em sua totalidade. Deus não se deleita apenas na conclusão da obra, mas no próprio processo, na fidelidade demonstrada nos estágios iniciais e intermediários.

Os "sete olhos do Senhor, que percorrem toda a terra", mencionados no mesmo versículo, reforçam a onisciência e a atenção divina a cada detalhe. Nada passa despercebido por Ele. Aquilo que aos olhos humanos pode parecer pequeno, insignificante ou lento demais, é visto por Deus dentro de um panorama muito mais amplo e com um entendimento do seu potencial futuro. Esses "olhos" representam a vigilância e o cuidado divino, assegurando que cada pequeno passo contribui para o grande plano.

Avançando para os versículos 11 e 12, Zacarias questiona sobre as "duas oliveiras à direita e à esquerda do candelabro" e os "dois ramos de oliveira que estão junto aos dois tubos de ouro, que vertem de si azeite dourado". Embora a interpretação detalhada dessas imagens seja complexa e debatida, elas apontam para a provisão contínua e a fonte de capacitação divina para a obra. As oliveiras, produtoras de azeite – combustível para o candelabro (menorá), que por sua vez simboliza a luz e a presença de Deus – representam os canais através dos quais a graça e o poder de Deus fluem. Zorobabel (representando a liderança civil) e Josué (o sumo sacerdote, representando a liderança espiritual) são frequentemente associados a estas oliveiras, simbolizando que a obra não é realizada por força ou poder humano, mas pelo Espírito de Deus (como explicitado em Zacarias 4:6: "Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos").

Portanto, a essência dos pequenos começos, conforme revelada em Zacarias, reside em:

Valorizar o Processo: Reconhecer que cada etapa, por menor que seja, tem seu valor intrínseco e é observada por Deus.

Confiar na Provisão Divina: Entender que os recursos e a capacitação para a obra vêm de Deus, simbolizado pelo azeite que flui das oliveiras.

Manter a Fidelidade: Assim como Zorobabel com o prumo, é crucial manter a diligência e o compromisso com a qualidade e o propósito, independentemente da escala atual do empreendimento.

Rejeitar o Desprezo: Superar a tentação de desanimar ou subestimar o potencial dos inícios humildes, lembrando que Deus se alegra neles.

Portanto, Zacarias 4:10-12 nos ensina que os pequenos começos não são apenas o prelúdio para algo maior, mas são, em si mesmos, significativos e dignos de celebração. São o terreno fértil onde a fidelidade é cultivada, a dependência de Deus é aprofundada e os grandes propósitos divinos começam a tomar forma, gota a gota, como o azeite dourado que alimenta a luz.

Pr. Eli Vieira

Homens da Geração Z estão retornando à igreja em números sem precedentes nos EUA

 

Jovens em eventos evangelísticos. (Foto: Ilustração/Instagram/Unite US)

A nova pesquisa do Barna Group mostra que a participação masculina na igreja aumentou entre os jovens, superando a frequência de gerações anteriores.

Enquanto os Estados Unidos estão lutando contra o declínio da frequência à igreja, dados de um estudo recente indicam um movimento de retorno à fé que tem chamado a atenção de pastores e pesquisadores, apontando para a possibilidade de um novo avivamento no país.

Conhecida como a “geração menos religiosa”, a Geração Z agora mostra sinais de engajamento religioso acima do esperado. Segundo um estudo recente do Barna Group, a participação masculina na igreja aumentou entre os jovens da Geração Z e da Geração Y, superando até mesmo a frequência de gerações anteriores.

Daniel Copeland, vice-presidente de pesquisa, disse que a maioria dos adultos costuma ir à igreja em dois de cada cinco fins de semana, mas entre os jovens da Geração Z essa frequência tem aumentado.

"Esses dados representam uma boa notícia para os líderes da igreja e reforçam o quadro de que a renovação espiritual está moldando a Geração Z e os Millennials hoje", disse Daniel à Fox News.

Já, Dr. Cory Marsh, professor de Novo Testamento no Seminário do Sul da Califórnia, declarou: 

"Os homens da Geração Z estão ficando fartos de um mundo virtual controlado por algoritmos e aplicativos de namoro e estão buscando algo real. As igrejas devem responder à tendência atual, sem colocar uma acima da outra". 

‘A resposta é pregar a Bíblia

No entanto, esse engajamento religioso entre os jovens apresenta uma diferença entre os homens e as mulheres. Um relatório de 2024 mostra que mulheres jovens estão deixando a igreja em taxas significativamente maiores.

Dados do Survey Center on American Life apontam que 61% das mulheres se identificam como feministas e desconfiam de instituições que defendem normas sociais tradicionais.

Para Corey Miller, PhD, presidente e CEO da Ratio Christi, essa diferença está ligada em grande parte às ideologias que predominam nas universidades e na cultura em geral: “Assim como as universidades, a cultura também evolui”.

Com isso, o Dr. Douglas Groothuis, professor de apologética e cosmovisão cristã na Cornerstone University, destacou que as igrejas devem pregar a mensagem da Bíblia de maneira amorosa como parte de sua missão principal.

"A resposta para a igreja não é adaptar sua mensagem aos tempos atuais, mas pregar, ensinar e defender a verdade da Bíblia de uma forma forte, mas amorosa", disse ele.

Outro dado relevante, foram as vendas de Bíblias que aumentaram 22% em 2024, em comparação com um crescimento de menos de 1% para livros impressos em geral, segundo a Circana BookScan.

Por fim, o relatório State of the Bible USA 2024 também aponta que mais de 20% da Geração Z aumentaram sua leitura da Bíblia no último ano, reforçando a ideia de que um novo despertar espiritual pode estar em andamento.


Fonte: Guiame, com informações de Fox News

sábado, 13 de agosto de 2022

O PROFETA JOEL FALA HOJE

 



O PROFETA JOEL FALA HOJE

 Joel 1:1-2:21

Deus dirige os eventos da História. Não há qualquer casualidade aqui. Os gafanhotos e a seca  são agentes de Deus. Eles não agem fora do controle divino. Todas as coisas estão sob seu controle e tudo concorre para a realização de sua soberana vontade.

Joel desejava que o povo de Judá compreendesse o que Deus estava falando por meio da praga e da seca. Em nosso tempo, as nações do mundo estão passando por secas e fome severas, epidemias assustadoras, terremotos inesperados, enchentes devastadoras e outras "catástrofes naturais", sendo que tudo isso tem afetado profundamente a economia global e, no entanto, poucas pessoas se perguntam: "O que Deus está nos dizendo?" Joel escreveu seu livro para que o povo soubesse o que Deus estava lhes dizendo por meio desses acontecimentos críticos.

                Ao olharmos para aquele momento em que o servo de Deus pregou, devemos perguntar: o que nos ensina a mensagem do profeta Joel? A mensagem de Joel nos ensina que:

  1-A LAMENTÁVEL SITUAÇÃO DEVE NOS MOTIVAR A CLAMAR A DEUS (Joel 1.14,19).

                O profeta Joel foi levantado por Deus para transmitir a sua mensagem em um momento marcado pela crise, causada principalmente por causa da seca e da praga de gafanhotos. A situação da terra é descrita no capítulo 1 e pode ser resumida nos versículos 10 e 14b, onde podemos ver: a devastação do campo; cessação do serviço religioso, crise espiritual, tristeza e desolação.

Este era o cenário que traduzia a lamentável situação da terra. Diante deste quadro desolador em que a nação se encontrava, muitas pessoas murmuravam, choravam, lamentavam, etc. Diante deste cenário econômico triste e desafiador para os habitantes de Judá, o profeta exorta o povo a clamar ao Senhor e promulgar um santo Jejum (Joel 1:14).

O profeta Joel nos ensina, que a lamentável situação deve nos motivar a buscar a Deus e não murmurar. Devemos clamar aquele que é poderoso para intervir e mudar a situação lamentável que muitas vezes enfrentamos. Esse deve ser o Projeto do Povo de Deus. Esse deve ser o projeto da Igreja na atualidade em que estamos vivendo em nosso país e no mundo, em meio crise política, moral e espiritual da nossa nação e do mundo. Deve ser o  meu e o seu projeto em momentos de lutas, certos de que Deus ouve e responde a orações dos seus servos.

2- AS MISERICÓRDIAS DE DEUS, DEVE NOS LEVAR AO ARREPENDIMENTO (Joel 2.12-19).

 Judá estava vivendo um momento de tristeza e dor, porque havia se afastado da Palavra de Deus e do Deus da Palavra, e como consequência deixaram-se levar pelo pecado.

O povo estava sendo disciplinado pela seca e pela praga, permitidas por Deus, para falar à nação que ela precisava se arrepender dos seus pecados, e olhar para as misericórdias do Senhor que controla todas as coisas, que não se limita as concepções humanas. Naquele momento, o profeta prega que Judá precisava abandonar os seus pecados e voltar-se para Deus, confiando somente em suas misericórdias e pedir perdão de todo coração.

Hoje, quando nós olhamos para o Brasil e o mundo, podemos ver a idolatria, a injustiça social, feitiçaria, violência, prostituição infantil, o sincretismo religioso, etc., isto é, a depravação total. A solução para situação em que estamos vivendo, é o homem se a arrepender dos seus pecados e confiar nas misericórdias de Deus, na certeza de que no Senhor, há perdão e restauração para todos que se rendem a Jesus.

 3-AS PROMESSAS DE DEUS, DEVE NOS ENCHER DE ESPERANÇA (Joel 2.18-32).

                Em Joel 2:18 o Senhor se mostra zeloso de sua terra, compadecendo-se do Seu povo e promete bênçãos grandiosas. Podemos classificar estas bênçãos, como sendo de ordem: materiais, espirituais e eternas. Deus promete ao povo normalidade na produção, dizendo:”… eis que vos envio o cereal e o vinho, e o óleo… os pastos do deserto reverdecerão, porque o arvoredo dará o seu fruto, etc. (2:19,22-26). Deus promete proteção (2:20,21,27), estabilidade climática (2:23), fartura e alegria (2:24,26) e o derramamento do Espírito Santo (2:22-32). Diante de tais promessas de Deus, o profeta Joel desafia o povo de Judá a renovar a esperança.

Meus irmãos, diante das promessas do Senhor, nós somos desafiados a nos enchermos de esperança, e não ficarmos desanimados, murmurando, chorando, etc. Como o teólogo calvinista suíço Emil Brunner disse: “O que o oxigênio significa para os pulmões, é a esperança para o sentido da vida”. Hoje, diante das dúvidas e incertezas, há muita gente ansiosa, desesperada, buscando um sentido para a vida nos prazeres carnais, nas drogas, nas religiões, etc., sem, contudo, encontrar uma saída, porque estão pondo suas esperanças onde não há esperança. Como igreja do Senhor, devemos confiar nas promessas de Deus e no Deus das promessas, na certeza de que Ele pode mudar a nossa situação e vai mudar se nos voltarmos para Ele, como Ele nos ensina em Sua Palavra (2 Cônicas 7.13,14).Desperta! É tempo de confiarmos nas promessas de Deus e nos voltarmos para Ele.

Portanto, não sei qual é o teu problema hoje, mas eu sei que o nosso Deus não mudou, ele é imutável, ele permanece o mesmo. Por isso podemos confiar nas suas promessas e nos encher de esperanças e ouvir o que o profeta Jeremias também nos diz em Lamentações 3:21 ” Quero trazer a memória o que me pode dar esperança”. O que você está trazendo a memória neste momento? Pare e pense? Olhe para Deus, independente das circunstâncias, clame ao Senhor, confie nas suas misericórdias e firme a sua vida nas promessas do Senhor, na certeza de que há esperança para mim, para você o Brasil. No Senhor está a nossa Salvação.

Autor Pr. Eli Vieira é formado pelo Seminário Presbiteriano do Norte e pastor da Igreja Presbiteriana Semear Itabuna-BA.

O QUE NOS PODE DAR ESPERANÇA?

 


Lamentações 3.21

O importante teólogo suíço Emil Brunner disse: “O que o oxigênio significa para os pulmões é a esperança para o sentido da vida”. Jeremias é conhecido como o profeta chorão, mas ao olharmos melhor para este servo de Deus, podemos ver que ele estava impregnado de esperança, não obstante o momento difícil em que ele viveu. Jeremias exerceu o seu ministério num período totalmente caótico para a nação de Judá, que vivia a maior crise de sua história política, social e religiosa.

Mesmo diante dessa situação, o profeta Jeremias tinha esperanças que muitos pudessem despertar do sono espiritual e ainda poder desfrutar das bênçãos de Deus. Jeremias não desiste da esperança, e lembra ao povo: “Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja a esperança é o Senhor… O Senhor é a esperança de Israel…” (Jr 17.7,13).

O povo não ouviu a mensagem de Jeremias, e como consequência Judá foi levada para a Babilônia por  Nabucodonosor, contudo mesmo diante da queda de Judá o profeta não perdeu a esperança. Ao contemplar a miséria da nação, ele se levantou e disse: “ quero trazer a memória o que nos pode dar esperança” (Lm 3.21). Mas onde estava a esperança do profeta Jeremias? O que nos pode dar esperança no meio da dor, do desespero, da crise? Jeremias nos ensina dizendo, o que nos pode dar esperança hoje:

1-AS MISERICÓRDIAS DO SENHOR (Lm. 3.22) – Israel não ouviu as palavras de Jeremias, os seus líderes políticos e espirituais deixaram se levar pelo pecado, “Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam. Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis, e depois vindes e vos ponde diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e dizeis estamos salvos; sim só para praticardes estas abominações! Será esta casa que se chama pelo meu nome é um covil de salteadores aos vossos olhos?... (Jr 7.8-11). G. Campbell Morgan diz que “covil de salteadores” é o lugar onde os ladrões se escondem logo após ter cometido crimes.

Jeremias ainda acrescenta que estes sacerdotes não passavam de falsos curandeiros, mentirosos “curam superficialmente a ferida do meu povo. Dizendo: Paz, paz, quando não há paz” (Jr 6.14). Mesmo diante desta triste crise, o profeta Jeremias tinha esperanças que muitos pudessem despertar do sono espiritual e ainda poder desfrutar das bênçãos de Deus. Mas, eles não ouviram a sua mensagem e como consequência foram levados para o cativeiro, cumprindo-se assim o que ele anunciara. Mas, ele não perdeu sua esperança, pois ele sabia que seu Deus era misericordioso e zela por suas palavras e que depois de setenta anos Israel seria restaurado (Jr. 25.1-14).

Meus irmãos, nas misericórdias de Deus estava a esperança do profeta, pois Judá não merecia ser restaurada, seus líderes pecaram, os sacerdotes eram homens falsos, não temos nem palavra para descrever. Não obstante, seu choro, sua tristeza, sua dor, Jeremias não perdeu a esperança. A sua esperança era o Senhor. Assim, nos ensina o Salmista “Pois tu és a minha esperança Senhor Deus”(Sl 71.5).

2-A FIDELIDADE DE DEUS (LM 3.23) – O profeta de maneira maravilhosa se expressou dizendo: “ A minha porção é o Senhor, diz a minha alma; portanto esperarei nele”(Lm 3.24), meu irmão veja o segredo da esperança de Jeremias. Ele sabia que o seu Deus não era igual aos homens mentirosos, pérfidos, mas o seu Deus era e é fiel “Grande é a tua fidelidade”.

Porque ele é fiel, Jeremias podia confiar em suas promessas, em seu amor, na intervenção do Senhor dos exércitos, Ele é o Deus imutável, soberano, onisciente, onipotente, incomparável. Por isso, o profeta tinha esperança, havia caos por todos os lados, tristeza e dor, mas ele se levanta e enche-se de esperança ao olhar para Deus.

Oh Meus irmãos! mesmo nestes dias difíceis que estamos passando, precisamos seguir o exemplo do profeta Jeremias que conhecia o Deus de Israel. Ao ouvirmos a voz de Deus, não podemos ficar desanimados diante da tristeza, do caos que nos acomete nesta atualidade. Precisamos olhar para o Deus fiel e imutável (Ml 3.6), e erguer a cabeça, na certeza que ele não mudou, sua fidelidade continua a mesma. Ele está no controle de todas as coisas, reinando, soberano. Ele é o mesmo, ontem e hoje e eternamente.

3- A SALVAÇÃO DO SENHOR (Lm 3.24-26) – Mesmo diante da tristeza, da perda da família, da casa, da pátria. Mesmo diante da escravidão, ele olha e ver a salvação no Senhor. Ele sabia que a disciplina do Senhor não iria durar para sempre. No Senhor há graça, perdão, restauração.

É para a salvação que há no Senhor que precisamos olhar hoje, não para o diabo, o pecado, a depravação do homem que não conhece a Deus. Porque se olharmos para o homem nós vamos ficar desanimados, sem esperança sem vida. É tempo de nos levantarmos e falarmos como o profeta Jeremias “Quero trazer a memória o que me pode dar esperança”. É tempo de termos esperança. Não podemos perder a esperança, mas precisamos esperar na intervenção divina, certos de que Deus proverá.

No exemplo do profeta Jeremias, encontramos razão para viver uma vida cheia de esperança, não merecemos nada, somos fracos pecadores, mas o nosso Deus é misericordioso. Vivemos no meio de um povo infiel, mas o nosso Deus é fiel, ele não mudou, então podemos confiar em sua palavra, viva e eficaz. Mesmo que o nosso cenário seja triste, desolador e só vejamos depravação, nós podemos confiar na intervenção do Senhor, pois ele não irá deixar os seus eleitos perdidos escravizados pelo inimigo. Portanto, levante-se meu irmão, erga cabeça e tenha a certeza do profeta Jeremias.

Meus irmãos, vivemos um período da história difícil, como nos diz o apóstolo Paulo, “nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis”(II Tm 3.1), mas Deus nos colocou como homens e mulheres de Deus para vivermos cheios de esperança, proclamando somente a glória de Deus firmados em sua Palavra. Ele é “MAIOR DO QUE AS CRISES É A ESPERANÇA DAQUELES QUE OUVEM A PALAVRA DO SENHOR”. Em Deus está a minha esperança.

Autor Pr. Eli Vieira é formado pelo Seminário Presbiteriano do Norte, Recife-PE e  pastor da Igreja Presbiteriana Semear, Itabuna-BA.

sexta-feira, 8 de julho de 2022

A PRESENÇA DE DEUS, NOSSA MAIOR NECESSIDADE

 



A PRESENÇA DE DEUS, NOSSA MAIOR NECESSIDADE

 Êxodo 33.1-15

Nos dias atuais, marcado pelo materialismo, o homem trocou Deus por suas bênçãos, porém a nossa maior necessidade, não são as bênçãos de Deus, mas  a presença de Deus.

Em Êxodo 33.15 contemplamos a visão de Moisés sobre a importância da presença de Deus. Quando ele desceu do monte viu o mal que o povo praticara, deixando de adorar ao Senhor para adorar um bezerro de ouro. Então disse o Senhor a Moisés que queria destruir o povo (Êx.32.10), mas Moisés intercedeu por eles ao Senhor. Então, Deus prometeu enviar um anjo adiante do povo, mas Moisés disse ao Senhor: “Se a tua presença não vai comigo, não nos faça subir deste lugar”.

Com base em Êxodo vamos aprender algumas lições para entendermos que a nossa maior necessidade é da presença de Deus.

1-O PECADO NOS AFASTA DA PRESENÇA DE DEUS (Êx. 32.9,10,30-35; 33.4,5)- Quando Moisés subiu ao monte para falar com Deus e passou quarenta dias e quarenta noites na presença de Deus, o povo ficou impaciente e pensando que Moisés não retornaria, e fizeram para si um ídolo ( Êx 32.1,2), e isso entristeceu ao Senhor de tal maneira que ele não queria mais  caminhar no meio do povo (Êxodo 33.5).

O pecado provoca a ira de Deus, faz ele se afastar do meio do seu povo, e como consequência escraviza o homem e o leva para a morte. Por isso podemos contemplar Moisés clamando a misericórdia do Senhor ao interceder pelo povo diante de Deus (Êx. 32.11-24, 30-35; Dt 9.25-29).

Como é triste quando o povo de Deus desobedece, aquele que o libertara da escravidão do pecado. Meu irmão não podemos brincar com o pecado, mas precisamos nos afastar de tudo aquilo que tenta nos afastar de Deus.

2-NADA PODE SUBSTITUIR A PRESENÇA DE DEUS EM NOSSO VIVER(Êx. 33.2-17) -Deus prometeu enviar o seu anjo adiante do povo. Eles viram o mal que praticaram, ouvindo o que Deus falara, pratearam e tiraram seus atavios ( Êx. 33.4,5).

É interessante observarmos que Deus prometeu a Moisés enviar o anjo, lhe dar vitórias sobre os seus inimigos e a terra que manava leite e mel. Mas o que é um anjo comparado com o Senhor Deus Todo-Poderoso, criador e sustentador do universo? Os anjos são apenas seres criados por ele. Deus prometeu vitória sobre os inimigos de Israel, mas o que são as vitórias sem a presença de Deus? O que é a terra que mana leite e mel sem a presença de Deus?

Hoje a igreja precisa entender que a nossa maior necessidade é de Deus. As suas bênçãos sem a sua presença em nosso viver, não tem sentido, ficamos vazios. Quantas pessoas tem bens matérias, tais como: casas luxuosas, carros, dinheiro, etc. mas são vazias, secas, sem esperança, sem amor sem vida, mesmo estando vivas. O mestre Jesus nos ensinou dizendo: “Portanto, ponham em primeiro lugar na sua vida o Reino de Deus e aquilo que Deus quer, e ele lhes dará todas essas coisas ” Mt.6.33(NTLH).Nada pode substituir a presença de Deus em nossa vida neste mundo.

3- PORQUE DEUS É A RAZÃO DA EXISTÊNCIA DO SEU POVO  (Gn. 12.1-9;Êx. 12.1-51; 13.17-22; 40.34-38; Nm 9.15-23) – Moisés conhecia a história dos seus pais,  de maneira maravilhosa podemos ver ele dizer: “Não é, porventura, em andares conosco, de maneira que somos separados, eu e o teu povo, de todos os povos da terra? (Êx. 33.16b). Todo o contexto histórico nos mostra que a razão da existência de Israel era o Senhor Deus.

A presença de Deus era indispensável para Israel continuar existindo, pois ele era o verdadeiro sentido da existência da nação. O principal alvo de Moisés não era uma terra que manava leite e mel, mas uma terra santa onde Deus estaria presente com o seu povo. Pois a presença de Deus fazia de Israel um povo diferente das demais nações.

Meus irmãos, assim como Moisés, hoje nós precisamos entender que a nossa maior necessidade é de Deus, pois somente com Ele podemos viver de forma diferente, caminhar desfrutando de sua comunhão e proteção no meio deste mundo que mais parece um deserto desafiador. Ele é o Deus vivo, poderoso, presente que nos dá força para viver (Isaías 41.10). O Senhor Jesus está conosco, pois ele é o Deus Emanuel (Mt 1.23),  sem ele nada podemos fazer (Jo 15.5), mas com ele nós somos mais que vencedores (Rm 8.37), a ele seja toda honra e glória.

Pr. Eli Vieira é formado pelo Seminário Presbiteriano do Norte e pastor efetivo da IP Semear, Itabuna-BA.

terça-feira, 5 de julho de 2022

A GRANDEZA DE DEUS

 

Quão grande é o nosso Deus!

Isaías 40 – 48

No dia 22 de maio de 1964, o presidente dos Estados Unidos, Lyndon B. Johnson,  quando estava na Universidade de Michigan, disse as seguintes palavras: “Nos dias de hoje, temos a oportunidade não apenas de nos transformarmos numa sociedade rica e poderosa, mas também de nos elevarmos a uma Grande Sociedade.” Ao lermos estas palavras alguns anos depois, podemos nos perguntar: “Como será que os judeus cativos na Babilônia teriam interpretado as palavras do presidente americano Lyndon Johnson?”

Uma sociedade rica? Eram refugiados cuja terra e cidade santa estavam em ruínas.

Uma sociedade poderosa? Sem um rei ou exércitos, encontravam-se fracos e indefesos diante das nações a seu redor.

Uma grande sociedade? Haviam pecado rebelando-se contra Deus e tiveram de sofrer grande humilhação e disciplina. Tinham pela frente um desafio monumental, mas lhes faltavam recursos humanos.

Por isso, o profeta admoestou-os a não olhar para si mesmos, mas sim a olhar com fé para o Deus poderoso que os amava e que prometeu fazer grandes coisa por eles. “Não temas!” exortou Isaías. “Eis aí está o vosso Deus!” (Is 40:9).

Meus irmãos, há um pensamento que me serve de estímulo em várias ocasiões que diz: “Olhe para os outros e ficará angustiado. Olhe para si mesmo e ficará deprimido. Olhe para Deus e será abençoado!”  Pode não ser uma obra-prima literária, mas certamente contém uma excelente teologia prática. Quando as perspectivas são sombrias, precisamos olhar para o alto. “Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? […] por ser ele grande em força e forte em poder” (Is 40:26).

Nestes nove capítulos de Isaías, o profeta descreve a grandeza de Deus em três áreas distintas da vida para que nós possamos aprender a depender e confiar em Deus em nosso viver independente das circunstâncias.

1. DEUS É MAIOR QUE NOSSAS CIRCUNSTÂNCIA S (IS 40:1-31)

As circunstâncias que nos precedem (vv.1-11). Ao olhar para trás, o remanescente da Babilônia via suas falhas e pecados e precisava de encorajamento. Podem-se ouvir quatro vozes, cada uma delas com uma mensagem especial a esse povo necessitado.

(1) A voz de perdão (vv. 1, 2). A nação havia pecado grandemente contra o Senhor, por sua idolatria, injustiça, imoralidade e insensibilidade para com seus mensageiros (Jr 7). Porém, os judeus ainda eram o povo de Deus, e ele os amava. Apesar de tê-los disciplinado, não os abandonaria. No texto original, “consolar” significa “falar ao coração” e “tempo da sua milícia” é uma referência aos tempos de “grandes provações”. A expressão “em dobro” não sugere que Deus os havia disciplinado injustamente, pois, mesmo em seus castigos, ele é misericordioso (Ed 9:13). Deus os disciplinou em proporção direta a tudo o que eles haviam feito (Jr 16:18). Não devemos pecar, mas, caso isso aconteça, Deus está esperando para nos perdoar (1 Jo 1:5 – 2:2).

(2) A voz da providência (vv. 3-5). Os judeus tinham uma dura jornada pela frente quando voltaram para reconstruir Jerusalém e o templo, mas o Senhor iria na frente a fim de abrir caminho. Vemos aqui a figura de um emissário consertando as estradas e removendo os obstáculos, reparando o caminho para a vinda de um rei. A figura do caminho ou da estrada aparece com frequência nas profecias de Isaías (ver Is 11:16). E evidente que o cumprimento pleno dessas palavras pode ser observado no ministério de João Batista, quando este preparou o caminho para o ministério de Jesus Cristo Mt 3:1-6). Em termos espirituais, Israel estava vivendo no deserto quando Jesus veio, mas em sua vinda, o Salvador trouxe a glória de Deus (Jo 1:14). O caminho de volta pode ser penoso, mas se confiarmos em Deus, ficará mais fácil.

(3) A voz da promessa (vv. 6-8). “Toda a carne é erva.” A Assíria havia partido e a Babilônia também. Assim como a grama, as nações e seus líderes cumprem seu propósito e, depois, desaparecem, mas a Palavra de Deus permanece para sempre (Sl 37:1, 2; 90:1-6; 103:15-18; 1 Pe 1:24, 25). Ao começar sua longa jornada para casa, Israel podia contar com as promessas de Deus. Talvez estivessem se apropriando especialmente de 2 Crônicas 6:36-39.

(4) A voz da paz (vv. 9-11). Aqui a própria nação sai do vale e vai até o alto das montanhas para declarar a vitória de Deus sobre o inimigo. A boa notícia anunciada naquele tempo foi a derrota da Babilônia e a libertação dos judeus cativos (Is 52:7-9). A boa notícia hoje é a derrota de Satanás por Jesus Cristo e a salvação de todos aqueles que crerem no Senhor (Is 61:1-3; Lc 4:18, 19. O braço de Deus é poderoso para dominar a batalha (Is 40:10), mas também é um braço de amor para carregar suas ovelhas cansadas (v. 11). “Estamos indo para casa!” – sem dúvida essa foi uma boa notícia para as cidades devastadas de Judá (Is 1 3 6 : 1 ; 37:26).

As circunstâncias diante de nós (vv. 12-26). Os judeus eram poucos, apenas um remanescente, e tinham diante deles uma longa e difícil jornada. As vitórias da Assíria, da Babilônia e da Pérsia deram a impressão de que os falsos deuses dessas nações gentias eram mais fortes do que o Deus de Israel, porém Isaías lembrou seu povo da grandeza de Javé. Ao contemplar a grandeza de Deus, você verá a vida com uma perspectiva diferente e correta.

Deus é maior do que qualquer coisa na terra (vv. 12-20) ou no céu (vv. 21-26). A criação mostra sua sabedoria, seu poder e sua infinitude. Ele é maior do que as nações e seus ídolos. E, se você sentir-se tão pequeno a ponto de se perguntar se Deus se importa, de fato, com sua vida, lembre-se de que ele sabe o nome de cada estrela (Is 40:26) e o seu nome também (ver Jo 10:3, 27)! O mesmo Deus que dá nome às estrelas e as conta, pode curar seu coração partido (Sl 147:3,4), pode levantar o caído, transformar a derrota em vitória (Gn 50.20).

Alguém definiu as “circunstâncias” como “as coisas horríveis que vemos ao desviarmos o nosso olhar de Deus”. Se você olhar para Deus por meio das suas circunstâncias, ele parecerá muito pequeno e distante, porém, se, pela fé, você olhar para as suas circunstâncias por meio de Deus, ele se colocará a seu lado e lhe revelará sua grandeza.

As circunstâncias dentro de nós (vv. 27-31). Em vez de louvar ao Senhor, a nação estava se queixando de que ele agia como se não soubesse da situação deles nem se importasse com os problemas que enfrentavam (v. 27; Is 49:14). Em vez de ver a porta aberta, os judeus enxergavam apenas uma longa estrada a sua frente e queixaram-se de não ter forças para andar. Deus estava lhes pedindo que fizessem o impossível.

Contudo, Deus sabe como nos sentimos, conhece nossos medos e sabe como suprir todas as nossas necessidades. Não somos capazes de obedecer a Deus com nossas próprias forças, mas podemos sempre confiar nele para nos prover a energia de que precisamos (Fp 4:13). Se confiarmos em nós mesmos, iremos desfalecer e cair, mas se esperarmos no Senhor com fé, receberemos forças para prosseguir. A palavra esperar” não sugere que nos sentemos aguardando sem fazer coisa alguma.  Significa “ter esperança”, buscar em Deus tudo de que precisamos (Is 26:3; 30:15). Isso inclui meditar no caráter e nas promessas de Deus, orar e buscar sua glória.

A palavra “renovar” significa “trocar”, assim como se tira uma roupa velha para se colocar roupas novas. Trocamos nossas fraquezas pelo poder de Deus (2 Co 12:1-10). Quando esperamos nele, Deus permite que sejamos elevados acima de uma crise, que corramos quando os desafios são muitos e que andemos confiantes em meio às exigências cotidianas. E muito mais difícil caminhar sob as pressões comuns da vida do que voar como a águia num período de crise.

O pai das missões modernas William Carey, disse: “Posso labutar, é o meu único dom. Posso perseverar em qualquer atividade que me seja determinada. Devo tudo em minha vida a isso.”

Uma jornada de mil quilômetros começa com o primeiro passo. Os grandes heróis da fé nem sempre são aqueles que parecem elevar-se acima dos problemas, mas sim os que labutam pacientemente. Ao esperar no Senhor, ele nos permite não apenas voar e correr mais rápido, mas também andar por mais tempo. Bem-aventurados os que labutam, pois um dia chegarão a seu destino!

2. DEUS É MAIOR QUE NOSSOS MEDOS (IS 41:1-44:28)

Em sete ocasiões nesta seção do livro, o Senhor diz a seu povo: “Não temas!” (Is 41:10,13,14; 43:1,5; 44:2,8); também a nós nos exortamos a não temermos hoje. Ao encarar o desafio da longa caminhada para casa e a difícil tarefa de reconstrução, os judeus remanescentes tiveram motivos de sobra para temer. Contudo, havia uma grande razão para não ter medo: o Senhor estava com eles e lhes daria sucesso.

Deus procurou acalmar seus medos garantindo que iria à frente deles e que trabalharia por eles. O Senhor explicou uma verdade maravilhosa: empregou três servos que cumpririam seu propósito: Ciro, rei da Pérsia (Is 41:1-7), a nação de Israel (vv. 8-29; Is 43:1 – 44:27) e ó Messias (Is 42:1-25).

Ciro, o servo de Deus (41:1-7). Deus convocou todos ao tribunal e pediu às nações que apresentassem suas acusações contra ele, se fossem capazes. Pelo menos dezessete vezes em suas profecias Isaías escreveu sobre “terras do mar”, referindo-se aos lugares mais distantes da terra santa (Is 11:11; 24:1 5; 41:1, 5; 42:4, 10, 12). O Senhor desafiou as nações dizendo: “Apresentai a vossa demanda” (Is 41:21).

Deus não teme as nações, pois é maior do que elas (Is 40:12-17); controla sua ascensão e queda. O Senhor anunciou que levantaria um governante chamado Ciro, o qual faria a obra justa de Deus na Terra ao derrotar outras nações em favor do povo de Deus, Israel. Ciro seria um pastor (Is 44:28) ungido por Deus (Is 45:1), uma ave de rapina que não poderia ser detida (Is 46:11). “Pisará magistrados como lodo e como o oleiro pisa o barro” (Is 41:25).

Isaías chamou Ciro pelo nome mais de um século antes do nascimento do rei (590?- 529 a.C.). Apesar de o profeta não usar, em momento algum, a designação “servo de Deus” para o governante, Ciro serviu ao Senhor ao cumprir o propósito de Deus na Terra. Deus entregou-lhe as nações e ajudou- o a conquistar grandes reis (Is 45:1-4). O inimigo foi soprado para longe como restolho e pó, pois o Deus eterno estava comandando o exército.

E possível que Ciro tivesse pensado que realizava seus próprios planos, mas na verdade estava fazendo a vontade de Deus (Is 44:28). Ao derrotar a Babilônia, Ciro permitiu que os judeus cativos fossem libertos e que voltassem para sua terra, a fim de reconstruir Jerusalém e o templo (Ed 1:1-4).”Eu, na minha justiça, suscitei a Ciro e todos os seus caminhos endireitarei; ele edificará a minha cidade e libertará os meus exilados” (Is 45:13).

Às vezes nos esquecemos de que Deus pode usar até mesmo líderes não cristãos para o bem de seu povo e para o progresso de sua obra. Levantou o Faraó no Egito para que pudesse demonstrar seu poder Rm 9:1 7) e também usou o fraco Herodes e o covarde Pôncio Pilatos para realizar o plano da crucificação de Cristo (At 4:24-28). “Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do S e n h o r ; este, segundo o seu querer, o inclina” (Pv 21:1).

Israel, o servo de Deus (41:8-29; 43:1 -44:28). O profeta apresenta quatro retratos para encorajar o povo. Em contraste com o medo experimentado pelas nações gentias, vê-se a confiança demonstrada por Israel, o servo escolhido de Deus (Is 41:8-13), pois Deus estava operando em seu favor. Apesar de sua antiga rebelião, Israel não foi rejeitado pelo Senhor. Os judeus cativos não precisavam temer nem Ciro e nem a Babilônia, pois Ciro estava trabalhando para Deus, e a Babilônia logo desapareceria. Ao ler esse parágrafo, podemos sentir o amor de Deus por seu povo e seu desejo de encorajá-lo a confiar nele quanto ao futuro.

O título “meu servo” é muito honrado e foi usado para grandes líderes como Moisés (Nm 12:7), Davi (2 Sm 3:18), os profetas (Jr 7:25) e o Messias (Is 42:1). Havia, porém, alguma honra em ser chamado de “verme”? (Is 41:14-1 6). “Servo” define o que eles eram pela graça e vocação de Deus, mas “verme” descreve o que eram em si mesmos. Imagine um verme com dentes e triturando montanhas até o pó, como se fosse palha! Todas as montanhas e montes seriam aplainados (Is 40:4), à medida que a nação marchasse com fé, e o Senhor tornaria as montanhas em outeiros.

         O mesmo Deus que transformou a realidade do povo judeu que estava no cativeiro, é também o nosso Deus hoje, ele zela por suas promessas, então podemos confiar, assim como ele cumpriu suas promessas restaurando o povo de Israel da escravidão quando estava desanimado é ele quem noa avbençoa e supre todas as nossas necessidades.

 Deus não é semelhante aos ídolos mortos que não podem fazer nada e não conhecem a nossa história, mas o grandioso Deus conhce todas as coisas, não só nosso passado como o nosso futuro(Is 41:21-29). Não apenas os ídolos eram incapazes de fazer qualquer previsão verdadeira, como também não conseguiam nem sequer falar! O julgamento do tribunal foi inequívoco: “Eis que todos são nada; as suas obras são coisa nenhuma; as suas figuras de fundição, vento e vácuo” (v. 29).

Isaías dá continuidade ao tema do “servo do Deus de Israel” nos capítulos 43 – 44 com ênfase no Deus Redentor de Israel (Is 43:1-7; ver também v. 14; Is 44:6, 22-24). A palavra traduzida por “redimir” ou “Redentor” é o termo hebraico para “parente resgatador”, alguém próximo que poderia remir pessoas da família da escravidão e resgatar suas propriedades mediante o pagamento de suas dívidas (ver Lv 25:23-28 e o Livro de Rute). Deus deu o Egito, a Etiópia (Cuxe) e Sabá para Ciro como preço do resgate por ter libertado Israel da Babilônia, pois Israel era muito precioso para o Senhor. Também deu seu único Filho como resgate pelos pecadores (Mt 20:28; 1 Tm 2:6).

Israel é o servo de Deus no mundo e também a testemunha de Deus para o mundo (Is 43:8-13). Trata-se de outra cena de um tribunal, em que Deus desafia os ídolos. “Que tragam suas testemunhas!”, diz o Juiz, mas é claro que os ídolos são inúteis e mudos. Em duas ocasiões, o Senhor diz a Israel: “Vós sois as minhas testemunhas”(vv. 10,12), pois foi na história de Israel que Deus revelou-se ao mundo. Frederico, o Grande, perguntou ao marquês D’Argens: “Você pode me dar uma única prova irrefutável da existência de Deus?” Ao que o marquês respondeu: “Sim, majestade, o povo judeu”.

Quando Deus perdoa e restaura seu povo, deseja que se esqueçam das falhas do passado, que dêem testemunho dele no presente e que se apropriem de suas promessas para o futuro (vv. 18-21). Por que deveríamos nos lembrar de algo que Deus já esqueceu? (v. 25). O Senhor perdoou os israelitas não porque tivessem levado sacrifícios – pois não havia altares na Babilônia -, mas unicamente por sua misericórdia e graça.

Isaías 44:9-20 mostra a insensatez da idolatria e deve ser comparado com o Salmo 11 5. Aqueles que defendem ídolos e que os adoram são como eles: cegos, ignorantes e insignificantes. Deus fez as pessoas à sua própria imagem, e agora elas faziam deuses à imagem delas! Parte de uma árvore se tornava um deus e o restante era usado como lenha. O ‘adorador “alimentava as cinzas” sem obter benefício algum dessa adoração.

Mas Deus formou Israel (Is 44:21, 24), perdoou os pecados de seu povo (v. 22; ver Is 43:25) e é glorificado por meio dele (Is 44:23). Ele fala a seu povo e é fiel no cumprimento de sua Palavra (v. 26). Que possamos sempre apreciar o privilégio que temos de conhecer e de adorar o verdadeiro Deus vivo!

O Messias, o Servo de Deus (Is 42). Isaías 42:1-7 é a primeira de quatro referências aos “cânticos do servo”, em Isaías, aludindo ao Servo de Deus, o Messias. As outras são Isaías 49:1-6; 50:1-11; e 52:13 – 53:12. Compare “Eis que todos [os ídolos] são nada” (Is 41:29) com “Eis aqui o meu servo” (Is 42:1). Mateus 12:14-21 aplica essas palavras ao ministério de Jesus Cristo aqui na Terra. Ele poderia ter destruído os inimigos (a cana e o linho), mas foi paciente e misericordioso. O Pai se agrada de seu Filho (Mt 3:1 7; 1 7:5).

É por meio do ministério do Servo que Deus realizará seu grande plano de salvação para o mundo. Deus o escolheu, levantou e capacitou para ser bem-sucedido em sua missão. Por causa da morte e da ressurreição de Jesus Cristo, um dia haverá um reino glorioso, e Deus “promulgará o direito para os gentios [nações]” (Is 42:1). Jesus Cristo é “a luz do mundo” (Jo 8:12), e isso inclui os gentios (Is 42:6; At 13:47, 48; Lc 1:79). Isaías 42:7 refere-se ao livramento do cativeiro na Babilônia (Is 29:18; 32:3; 35:5) bem como ao livramento dos pecadores da condenação (Is 61:1-3; Lc 4:18, 19).

A seção final (Is 42:10-25) descreve uma nação que canta (vv. 10-12), dando louvores ao Senhor, e um Deus silencioso que quebra o silêncio para se tornar um valente emitindo gritos (vv. 13-1 7). Deus é longânimo para com o pecador, porém, quando começa a operar, não perde tempo! O “servo”, nos versículos 18-25, é o povo de Israel, cego para seus próprios pecados e surdo para a voz de Deus (Is 6:9, 10); ainda assim, o Senhor o perdoou graciosamente e o libertou da servidão. Então, Deus diz aos babilônios: “Restitui” (Is 42:22).

Como é triste quando Deus nos disciplina e não entendemos ou não levamos a sério o que ele está fazendo (v. 25)! O cativeiro de Israel na Babilônia curou a nação de sua idolatria, mas não criou nele um desejo de adorar e glorificar a Deus. Meus irmãos, nós também fomos libertos do pecado pela graça de Deus, precisamos ter fome e sede da presença do Senhor e glorifica-lo em nosso viver.

3. DEUS É MAIOR QUE NOSSOS INIMIGOS (Is 45:1-48:22)

Estes capítulos tratam da ruína da Babilônia, e um dos temas principais é: “Eu sou o Senhor, e não há outro” (Is 45:5-6, 14, 18, 21, 22; 46:9). Jeová volta a se revelar como o verdadeiro Deus vivo em contraste com os ídolos mudos e mortos.

A descrição do conquistador (45:1-25). Assim como profetas, sacerdotes e reis eram ungidos para o serviço, também Ciro foi ungido por Deus para realizar um serviço especial por Israel. Nesse sentido, Ciro foi um “messias”, um “ungido”. Deus o chamou pelo nome um século antes de seu nascimento! Ciro foi o instrumento humano para a conquista, mas foi o Deus Jeová quem lhe deu as vitórias.

A desgraça dos falsos deuses (46:1-13). Bel era o deus babilônio do Sol, e Nebo era seu filho, o deus da escrita e do aprendizado. Mas nem os dois juntos foram capazes de deter Ciro! Ao escapar do inimigo, os Babilônios tiveram de carregar seus deuses, porém eles acabaram sendo levados para o cativeiro junto com os prisioneiros de guerra Deus garantiu a seu povo que os levaria em seus braços do ventre ao túmulo. O versículo 4 é a base para a estrofe do conhecido hino Firme Alicerce, geralmente omitida dos nossos hinários:

Até à velhice, todo meu povo há de provar,

Meu soberano, eterno e imutável amor,

E quando o cabelo grisalho suas têmporas adornar,

Como ovelhas junto ao peito ainda os hei de levar.

(Richard Keen)

Que conforto saber que nosso Deus já cuidava de nós mesmo antes de termos nascido (Sl 139:13-16) e que o fará até envelhecermos, bem como a cada momento entre uma coisa e outra! Ele está no controle de tudo, conhece todos antes de nascermos.

A destruição da cidade (47:1-15). A Babilônia, a rainha arrogante, não passava mais de uma escrava humilhada. “Eu serei senhora para sempre!” (v. 7-), bradava ela. Mas, num instante, foi alcançada pelo julgamento de seus pecados e tornou-se viúva. Nem seus ídolos nem suas práticas ocultas (vv. 12-14) puderam avisá-la ou prepará-la para sua destruição. Deus, porém, sabia que a Babilônia cairia, pois havia planejado isso muito tempo atrás! Chamou a Ciro, que se lançou sobre a Babilônia como uma ave de rapina. A Babilônia não mostrou misericórdia para com os judeus, e Deus julgou-a conforme merecia.

A libertação do remanescente judeu (48:1-22). Os judeus haviam se tornado complacentes e acomodados em seu cativeiro e não queriam partir. Seguiram o conselho de Jeremias (Jr 29:4-7) e tinham casas, jardins e famílias. Apegaram-se de tal modo a essas coisas que não seria fácil fazer as malas e seguir para a Terra Santa. No entanto, pertenciam à Terra Santa, e Deus tinha um trabalho para eles ali. Deus lhes disse que eram hipócritas ao usar seu nome e identificar-se com sua cidade, mas não obedecer à sua vontade (Is 48:1, 2). Eram obstinados (v. 4) e não se empolgaram com as coisas novas que Deus estava fazendo por eles.

Se tivessem obedecido ao Senhor logo de início, teriam experimentado paz e não guerras (vv. 18, 19), mas ainda não era tarde demais. O Senhor os havia colocado dentro da fornalha para refiná-los e prepará-los para o trabalho que os esperava (v. 10). “Saí da Babilônia, fugi de entre os caldeus”, foi o mandamento do Senhor (v. 20; ver Jr 50:8; 51:6; 45; Ap 18:4). Deus iria adiante deles e prepararia o caminho, de modo que não tinham o que temer.

Seria de se pensar que os judeus estivessem ansiosos para deixar sua “prisão” e voltar para sua terra, a fim de ver Deus fazer coisas novas e grandiosas por eles. Porém, haviam se acostumado com a segurança do cativeiro e se esquecido dos desafios da liberdade. Não é difícil para a Igreja de hoje se acomodar com seu conforto e fartura. Deus pode nos colocar na fornalha para nos lembrar de que estamos aqui para ser servos e não consumidores ou espectadores

Conclusão

Meus irmãos, mesmos sendo fracos e miseráveis pecadores podemos contemplar o grande amor de Deus, assim como o remanescente. Ao olhar para trás, o remanescente da Babilônia via suas falhas e pecados e precisava de encorajamento, para prosseguir em frente.

1-Deus é maior do que qualquer coisa na terra (vv. 12-20) ou no céu (vv. 21-26). A criação mostra sua sabedoria, seu poder e sua infinitude. Ele é maior do que as nações e seus ídolos. E se você sentir-se tão pequeno a ponto de se perguntar se Deus se importa, de fato, com sua vida, lembre-se de que ele sabe o nome de cada estrela (Is 40:26) e o seu nome também (ver Jo 10:3, 27)! O mesmo Deus que dá nome às estrelas e as conta pode curar seu coração partido (Sl 147:3, 4).

2-Deus é maior que nossos medos– Deus procurou acalmar seus medos garantindo que iria à frente deles e que trabalharia por eles. O Senhor explicou uma verdade maravilhosa: empregou três servos que cumpririam seu propósito: Ciro, rei da Pérsia (Is 41:1-7), a nação de Israel (vv. 8-29; Is 43:1 – 44:27) e o Messias (Is 42:1-25). Então meu irmão e amigo não há o que temer, precisamos confiar no Senhor hoje.

3-Deus é maior que nossos inimigos – Se tivessem obedecido ao Senhor logo de início, teriam experimentado paz e não guerras (vv. 18, 19), mas ainda não era tarde demais. O Senhor os havia colocado dentro da fornalha para refiná-los e prepará-los para o trabalho que os esperava (v. 10). “Saí da Babilônia, fugi de entre os caldeus”, foi o mandamento do Senhor (v. 20; ver Jr 50:8; 51:6; 45; Ap 18:4). Deus iria adiante deles e prepararia o caminho, de modo que não tinham o que temer.

Seria de se pensar que os judeus estivessem ansiosos para deixar sua “prisão” e voltar para sua terra, a fim de ver Deus fazer coisas novas e grandiosas por eles. Porém, haviam se acostumado com a segurança do cativeiro e se esquecido dos desafios da liberdade. Não é difícil para a Igreja de hoje se acomodar com seu conforto e fartura. Deus pode nos colocar na fornalha para nos lembrar de que estamos aqui para ser servos e não consumidores ou espectadores.

Assim como o Israel da Antiguidade, você ao se deparar com uma tarefa difícil e um futuro impossível, siga o exemplo de Israel e lembre-se da grandeza de Deus.

W.Wiersbe/Adap pelo Pr. Eli Vieira

terça-feira, 28 de junho de 2022

Um Novo Começo


Uma nova Vida

Gênesis 12:1-9

O jornalista e dramaturgo irlandês George Bernard Shaw brincou dizendo: “Se os outros planetas são habitados, então devem estar usando a Terra como seu manicômio”.

 Podemos achar esse comentário engraçado, mas ele nos faz lembrar de um fato triste: o mundo encontra-se num estado de caos, e as coisas não parecem estar melhorando. Qual é o problema?

A origem de tudo isso remonta aos acontecimentos registrados no Livro de Gênesis. Com exceção do relato nos capítulos 1 e 2, os onze primeiros capítulos de Gênesis registram uma sucessão de erros dos seres humanos, erros estes que estão se repetindo nos dias de hoje. Primeiro, o homem e a mulher desobedeceram a Deus e foram expulsos do jardim (cap. 3). Caim matou seu irmão, Abel, e mentiu sobre o que havia feito (cap. 4). A humanidade tornou-se tão corrompida que Deus limpou a Terra com um dilúvio (caps. 6 – 8). Noé embriagou-se, e seu filho, Cam, viu a nudez do pai (cap. 9). Rebelando-se contra Deus, os seres humanos construíram uma cidade e uma torre, e Deus precisou mandar confusão para acabar com essa rebelião (cap. 10).

Desobediência, homicídio, engano, bebedeira, nudez e rebelião parecem coisas bem atuais, não é? Se você fosse Deus, o que você faria com tais pecadores, homens e mulheres criados à sua imagem? “Provavelmente eu os destruiria!” poderia ser sua resposta.

Mas não foi isso o que Deus vez. Antes, chamou um homem e sua esposa para que deixassem seu lar e fossem para uma nova terra, de modo que pudessem dar um recomeço à humanidade. Em consequência do chamado de Deus e de sua fé obediente, Abraão e Sara, em última análise, propiciaram ao mundo a nação judaica, a Bíblia e o Salvador. Onde estaríamos hoje se Abraão e Sara não tivessem confiado em Deus?

Consideremos os elementos envolvidos em sua experiência.

  1. UM CHAMADO (Gn 12:1a)

Quando Deus chamou. A salvação vem porque Deus, em sua graça, chama o pecador, o qual responde pela fé (Ef 2:8, 9; 2 Ts 2:1 3, 14). Deus chamou Abraão do meio da idolatria (Js 24:2) quando se encontrava em Ur dos caldeus (Gn 11:28, 31; 15:7; Ne 9:7), uma cidade dedicada a Nanar, o deus Lua. Abraão não conhecia o verdadeiro Deus e não havia feito nada para merecer conhece-lo, mas, em sua graça, Deus o chamou. “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros” (Jo 15:16).

Abraão tinha setenta e cinco anos quando Deus o chamou, de modo que a idade não é obstáculo para a fé. Ele confiou em Deus durante cem anos (Gn 25:7), e hoje podemos aprender com sua experiência a andar pela fé e a viver de modo agradável a Deus.

Abraão era casado com Sara, sua meia irmã (Gn 20:12), e não tinham filhos. No entanto, Deus usou esse casal para fundar uma grande nação! “Porque era ele [Abraão] único, quando eu o chamei, o abençoei e o multipliquei” (Is 51:2). Por que Deus chamaria um casal nada promissor como esse para uma tarefa tão importante? Paulo dá a resposta em 1 Coríntios 1:26-31.

Como Deus chamou. “O Deus da glória apareceu a Abraão, nosso pai” (At 7:2). Não nos é dito como Deus apareceu a Abraão, mas, de acordo com o registro de Gênesis, foi a primeira de sete vezes que Deus se comunicou com Abraão. A revelação de Deus deve ter mostrado a Abraão a vaidade e insensatez da idolatria em Ur. Quem iria querer adorar um ídolo morto depois de ter um encontro com o Deus vivo? 1 Tessalonicenses 1:9, 10 e 2 Coríntios 4:6 descrevem essa experiência de salvação.

 No entanto, Deus também falou a Abraão (Gn 12:1-3), e a Palavra realizou o milagre da fé. “Assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” ‘Rm 10:17). Foi um chamado para que Abraão se separasse da corrupção a seu redor, e ele obedeceu pela fé (Hb 11:8). A verdadeira fé baseia-se na Palavra de Deus e conduz à obediência. Deus não poderia abençoar e usar Abraão e Sara a menos que estivessem no lugar onde o Senhor queria que estivessem (2 Co 6:14 – 7:1).

Por que Deus chamou. Há pelo menos três motivos pelos quais Deus chamou Abraão e Sara. Em seu amor, Deus estava preocupado com a salvação deles, de modo que revelou sua glória e compartilhou com eles suas bondosas promessas. Mas, além da salvação pessoal deles, o propósito de Deus era abençoar todos os povos da Terra. Isso aconteceu quando Deus enviou seu Filho ao mundo por meio do povo de Israel. Cristo morreu pelos pecados do mundo (1 Jo 2:2; 4:14) e quer que sua Igreja conte as boas novas da salvação a toda a Terra (Mc 16:15).

 Existe, porém, um terceiro motivo: a vida de Abraão é um exemplo para todos os cristãos que desejam andar pela fé. Abraão foi salvo pela fé (Gn 1 5:6; Rm 4:1-5; Gl 3:6-14) e viveu pela fé (Hb 11:8-19), e essa fé ficou evidente em sua obediência (Tg 2:14-26). Abraão obedeceu quando não sabia onde (Hb 11:9, 10), como (vv. 11, 12), quando (v. 13-16) nem por que (vv. 17-19), e nós devemos fazer o mesmo.

Abraão e Sara não eram perfeitos, mas, de modo geral, sua caminhada caracterizou-se pela fé e pela fidelidade. Quando pecaram, sofreram por isso, e o Senhor mostrou-se sempre pronto a perdoá-los quando se arrependeram. “A vida cristã vitoriosa”, disse George Morrison, “é uma série de recomeços”. Ao estudar a vida de Abraão e Sara, você verá o que é fé e como andar pela fé. Descobrirá que, quando você confia no Senhor, nenhuma provação é impossível de vencer e nenhum fracasso é permanente.

 2 . UMA ALIANÇA (Gn 12:1-3)

A fé não se baseia em sentimentos, apesar de, sem dúvida, as emoções fazerem parte da experiência de fé em certas ocasiões (Hb 11:7). A verdadeira fé baseia-se na Palavra de Deus (Rm 10:17). Deus falou a Abraão e disse o que faria para ele e por meio dele, se ele confiasse e obedecesse. “Grandes vidas são moldadas por grandes promessas”, escreveu Joseph Parker, e certamente esse foi o caso de Abraão e Sara. A aliança de Deus concedeu-lhe a fé e as forças de que precisavam para uma vida toda de peregrinação.

Não somos salvos ao fazer promessas a Deus. Somos salvos ao crer nas promessas de Deus. Foi Deus quem, em sua graça, deu sua aliança a Abraão, e ele respondeu com fé e obediência (Hb 11:8-10). A maneira como você responde às promessas de Deus determina aquilo que ele fará na sua vida.

A Bíblia registra várias alianças de Deus, começando com a promessa de um Redentor, em Gênesis 3:15, e culminando com a nova aliança por meio do sangue de Jesus Cristo (Lc 22:20; Hb 8). A palavra hebraica traduzida por “aliança” tem vários significados: (1) comer com alguém, o que sugere comunhão e concordância; (2) atar ou acorrentar, o que significa compromisso; e (3) distribuir, o que sugere compartilhar. Quando Deus faz uma aliança, entra num acordo e compromete-se a cumprir suas promessas. Trata-se de um ato da mais pura graça. Deus não deu a Abraão motivos ou explicações. Deu-lhe, simplesmente, uma promessa: “Te mostrarei […] de ti farei […] te abençoarei […] abençoarei os que te abençoarem” (Gn 12:1-3). Deus prometeu mostrar-lhe uma terra, fazer dele uma grande nação e usar essa nação para abençoar o mundo todo. Deus nos abençoa para que possamos ser uma bênção para outros, e sua grande preocupação é que o mundo todo seja abençoado. A comissão missionária da Igreja não começa com João 3:16 nem com Mateus 28:18-20. Começa com a aliança entre Deus e Abraão. Somos abençoados para que sejamos uma bênção.

Deve ter sido difícil para Abraão e Sara crerem que Deus iria abençoar o mundo todo por meio de um casal idoso e sem filhos, mas foi exatamente o que ele fez. Deles procedeu a nação de Israel, e de Israel procedeu a Bíblia e o Salvador. Deus reafirmou sua aliança com Isaque (Gn 26:4) e Jacó (Gn 28:14) e cumpriu-a em Cristo (At 3:25, 26). Ao longo dos anos, Deus ampliou diversos elementos dessa aliança, mas deu a Abraão e Sara elementos suficientes da verdade para que cressem nele e partissem pela fé.

Podemos ver que em sua jornada Abrão fez concessões (Gn 11:27-32; 12:4 )

Os primeiros passos de fé nem sempre são gigantescos, o que explica o motivo de Abraão não ter sido completamente obediente a Deus. Em vez de deixar a família, conforme Deus havia ordenado, quando saiu de Ur, Abraão levou consigo o pai e o sobrinho, Ló, e todos permaneceram em Harã até que seu pai morreu. Tudo aquilo que você traz consigo da antiga vida para a nova pode causar problemas. Tera, o pai de Abraão, serviu de empecilho para que Abraão obedecesse plenamente ao Senhor, e Ló criou sérias dificuldades para Abraão até que os dois finalmente decidiram se separar. Quando saíram de Ur (Gn 20:13), Abraão e Sara levaram consigo uma concessão pecaminosa que em duas ocasiões lhes causou problemas (Gn 12:10-20; 20:1-18).

A vida de fé exige separação total daquilo que é mau e dedicação total àquilo que é santo (2 Co 6:14 – 7:1). Ao estudar a vida de Abraão, veremos que, com frequência, ele foi tentado a ser condescendente e, por vezes, chegou a ceder. Deus nos testa a fim de edificar nossa fé e de extrair o que há de melhor em nós, mas o diabo nos tenta a fim de destruir nossa fé e de extrair o que há de pior em nós.

Quando andamos pela fé, só podemos nos apoiar em Deus: sua Palavra, seu caráter, sua vontade e seu poder. Não que você tenha de se isolar de sua família e amigos, mas não os considera mais seu primeiro amor e primeira responsabilidade (Lc 14:25-27). Seu amor por Deus é tão intenso a ponto de fazer com que, em termos comparativos, o amor pela família pareça ódio! Deus nos chama para a “solidão” (Is 51:1-3), e não devemos fazer concessões.

 3. UM COMPROMISSO (Gn 12:4-9)

Thomas Fuller, um pregador puritano do século XVII, disse que toda a humanidade foi dividida em três classes: os planejadores, os empreendedores e os realizadores. É possível que Tera fosse um planejador, mas não chegou à terra da promessa. Até certa altura, Ló foi um empreendedor, mas fracassou terrivelmente, pois não foi capaz de andar pela fé. Abraão e Sara foram realizadores, pois confiaram em Deus para realizar aquilo que havia prometido (Rm 4:18-21). Assumiram um compromisso com Deus e dedicaram a ele seu futuro, obedeceram ao que o Senhor ordenou e receberam tudo o que Deus havia planejado para eles.

 A fé nos leva a mudar (w. 4, 5). Pode ter sido o amor de um filho por seu pai idoso que fez Abraão protelar (Lc 9:59-62), mas finalmente chegou o dia em que ele e Sara íi\eram de sair de Harã e dirigir-se à terra que Deus havia escolhido para eles. É impossível ter fé e duvidar (Tg 1:6-8), e não se pode servir a dois senhores (Mt 6:24). A fé exige compromisso.

“Vivemos um tempo de declarações efêmeras”, disse Vance Havner. “Os credos fundamentais da igreja encontram-se no final do hinário, mas desapareceram da vida da maioria de seus membros – se é que chegaram a significar alguma coisa. Declarações de dedicação pessoal desvanecem e precisam ser renovadas. São tempos de declarações de compromisso enfraquecidas!”

A fé nos conduz ao objetivo (w. 6-8). Deus nos coloca em ação para nos conduzir ao objetivo que tem para nós (Dt 6:23). Não sabemos nada sobre a longa jornada de Abraão e Sara de Harã até Canaã, pois o que importava era seu destino. Séculos depois, Deus daria aquela terra aos descendentes de Abraão. No entanto, quando Abraão e Sara chegaram, eram “estrangeiros e peregrinos” (Hb 11:13) em meio a uma sociedade pagã.

Tomar posse da herança implica passar por provas e tentações, desafios e batalhas, mas Deus pode nos conduzir a seu objetivo (Fp 1:6).

A obediência nos leva a uma nova segurança em Deus e a novas promessas dele (Cn 12:7; Jo 7:17). Que consolo deve ter sido para Abraão e Sara quando receberam essa nova revelação de Deus ao chegarem a uma terra estranha e perigosa. Quando caminha pela fé, sabe que Deus está com você e não há nada a temer (Hb 13:5, 6; At 18:9, 10; 2 Tm 4:17). Deus cumprirá seus propósitos e realizará em você e por seu intermédio tudo o que está no coração dele.

Por vezes, há problemas sérios em casa, no trabalho ou na igreja e nos perguntamos por que Deus permite que tais coisas aconteçam. A fim de se apropriar de sua herança espiritual em Cristo, você deve demonstrar fé na Palavra de Deus e obediência à vontade de Deus. 90 GÊNESIS 11:27 – 12:9

Para onde quer que Abraão fosse em Canaã, lá ele levantava sua tenda e seu altar (Gn 12:7, 8; 13:3, 4, 18). A tenda indicava que ele era um “estrangeiro e peregrino” que não pertencia a este mundo (Hb 11:9- 1 6; 1 Pe 2:11), e o altar indicava que ele era um cidadão do céu que adorava o verdadeiro Deus vivo. Abraão testemunhava a todos que era separado deste mundo (a tenda) e consagrado ao Senhor (o altar). Sempre que Abraão abandonava sua tenda e seu altar, metia-se em apuros.

O lugar onde Abraão colocou sua tenda tinha Betel a oeste e Ai a leste (Gn 12:8). Os nomes da Bíblia por vezes têm significados importantes, apesar de não podermos levar isso ao extremo. Betel significa “a casa de Deus” (Gn 28:19) e Ai significa “ruína”. Em termos figurativos, Abraão e Sara estavam andando na luz, do Leste para o Oeste, da cidade da ruína para a casa de Deus! O sistema deste mundo está corrompido, mas os verdadeiros cristãos deram as costas para o mundo e voltaram o rosto para o lar celestial de Deus. “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4:18).

A fé nos coloca em movimento (v. 9). A vida de fé não deve jamais tornar-se estagnada, pois se nossos pés estão se movendo, nossa fé está crescendo. Observe os verbos usados para descrever a vida de Abraão: ele partiu (Gn 12:4), partiu e chegou (v. 5), atravessou (v. 6), passou dali (v. 8) e seguiu dali (v. 9). Deus manteve Abraão em movimento para que se deparasse com novos desafios e fosse forçado a confiar em Deus para receber “graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4:16). O cristianismo confortável é o oposto da vida de fé, pois “peregrinos e estrangeiros” devem enfrentar novas circunstâncias, a fim de obter novas percepções sobre si mesmos e sobre seu Senhor. “Deixemo-nos levar para o que é perfeito” (Hb 6:1).

Como Abraão soube para onde ir e o que fazer? Ele “invocou o nome do S e n h o r ” (Gn 12:8). Orou ao Senhor, e Deus o ajudou. Os vizinhos pagãos de Abraão viram que ele possuía um altar, mas não tinha ídolos. Não tinha “lugares sagrados”, mas construía seu altar onde levantava sua tenda. Era possível traçar o caminho que Abraão havia percorrido até então seguindo o rastro dos altares que havia deixado para trás. Não se envergonhava de adorar a Deus abertamente enquanto seus vizinhos pagãos o observavam.

Na vida do peregrino, devemos prosseguir “de fé em fé” (Rm 1:1 7) para caminhar “de força em força” (Sl 84:7). G. A. Studdert Kennedy disse: “Fé não é crer apesar das evidências, é obedecer apesar das consequências”. “Pela fé, Abraão […] obedeceu” (Hb 11:8). A fé sem obediência é morta (Tg 2:14-26), e a ação sem fé é pecado (Rm 14:23). Deus ligou a fé à obediência como os dois lados de uma moeda – as duas são inseparáveis.

A essa altura da narrativa bíblica, Abraão encontra-se no lugar que Deus reservou para ele, fazendo o que Deus ordenou. Mas a história não termina aí – esse é só o começo! Mesmo quando você está vivendo em obediência, passa por testes e enfrenta provações, pois é assim que a fé cresce. Mas o mesmo Senhor que fez você mudar, alcançar o objetivo e continuar em movimento também o fará atravessar as provações, se você o seguir pela fé.

Adap. Pr. Eli Vieira

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