segunda-feira, 30 de maio de 2022

A JORNADA TRIUNFAL DE UM HOMEM DE DEUS

 








INTRODUÇÃO

A nação de Israel dava passos largos e resolutos para o caos. Seus 19 reis foram todos ímpios. As oito dinastias foram uma sucessão de ambição, idolatria, traições e assassinatos.

Acabe começa a reinar e se não bastasse ser o pior rei, ainda se casa com a pior mulher do mundo: mandona, idólatra e assassina. Acabe se torna apenas um boneco em suas mãos.

Nesse cenário de perversão e apostasia é que surge Elias. Vejamos a escalada desse homem de Deus:

I. DEBAIXO DOS HOLOFOTES – NA CORTE REAL – 17:1

A mensagem – Elias surge com uma mensagem curta, contundente, bombástica e direta: Não vai chover nos próximos três anos. A credibilidade de Baal estará em baixa. Vou provar que esse ídolo não tem poder.

O nome – Elias é a resposta para a apostasia da nação. Para o povo que havia seguido a Baal, Elias significa “Jeová é o meu Deus”.

A origem de Elias é um golpe no orgulho dos poderosos. Ele vem de Tisbé, um lugar obscuro, desconhecido. Ele vem de lugar nenhum. Ele é um ilustre desconhecido, sem títulos, sem projeção humana. Ele não é um figurão. Deus não precisa de estrelas para fazer a sua obra.

A vida – Sua vida referenda seu ministério – ele vive na presença de Deus. Ele conhece a Deus. Ele tem intimidade com Deus.

II. ESCONDIDO DA MULTIDÃO – NO RIBEIRO DE QUERITE – 17:2-5

O método de Deus: A solidão do profeta – Deus tira Elias do palco, das luzes da ribalta, debaixo dos holofotes e envia-o para um lugar solitário, no esconderijo da solidão, para conviver apenas com os corvos. Deus queria proteger Elias e treiná-lo para uma grande obra. Para prevalecer em público é preciso ser treinado em secreto. Antes de Deus trabalhar através de nós, Deus precisa trabalhar em nós.

A obediência de Elias: Aprendendo a estar a sós com Deus – Elias não discute com Deus. Ele prontamente obedece. A sua agenda é a agenda de Deus. A sua prioridade é estar no centro da vontade Deus. Deus é mais importante do que a sua obra. Antes de fazer a obra de Deus precisamos conhecer a intimidade de Deus. Deus não quer ativismo. Ele quer nos treinar e nos capacitar para grandes aventuras.

Querite secou: Aprendendo a confiar em Deus – É fácil confiar em Deus quando a água do ribeiro está jorrando. O nosso ribeiro seca quando passamos pela prova na vida, no casamento, nas finanças, na saúde, nas amizades. O que fazer nessas horas? 1) O Deus que dá a água pode reter a água – Quando o nosso ribeiro seca precisamos entender que Deus está vivo e bem e que ele sabe o que está fazendo. Nosso nome está escrito na palma da sua mão. 2) O ribeiro seco era resultado da própria oração de Elias – As orações de Elias estavam sendo respondidas. Deus está nos treinando para a maturidade. O projeto de Deus é fazer de Elias um homem de Deus.

Lições de Querite: A pedagogia de Deus – 1) Precisamos entender o valor de ser usados em público e sermos treinados em secreto; 2) A direção de Deus inclui a provisão de Deus; 3) Precisamos aprender a confiar em Deus dia pós dia.

III. NO MOINHO DE DEUS – EM SAREPTA – 17:8-10

Refinado por Deus: ele está burilando a sua jóia – A palavra “Sarepta” significa fundir ou refinar. Sarepta quer dizer cadinho. Primeiro Deus levou Elias a Querite para ele se desacostumar dos holofes. Agora Deus aumenta o fogo da fornalha para derretê-lo e moldá-lo. A fornalha apenas consome as impurezas enquanto purifica o ouro.

Deus está no controle: Seu plano é perfeito – 1) Deus sabe onde Elias está (v. 8) – Não julgue que Deus o esqueceu, ou que Deus o abandonou. Foi ele quem o enviou a Querite. Ele sabe que a fonte secou. Ele sabe onde você está e o que está acontecendo com você. 2) Deus sabe aonde Elias está indo (v. 9) – Sarepta fica a 150 Km de Querite. Elias tinha que cruzar o território de Israel. Ele era uma espécie de foragido da justiça. Era o homem mais procurado: vivo ou morto. Para sair da solidão, e cruzar os campos e cidades, ele tinha que confiar em Deus. 3) Deus sabe a provisão que Elias vai ter (v. 9) – Essa é uma lição de humildade, ser sustentado por uma viúva pobre, faminta, à beira da morte. Elias foi a Sarepta esperando um pouco mais de provisão do que em Querite. Talvez ele não viesse a morrer de sede, mas parecia que ia ter uma fome de matar. Quase que Elias foi derrrotado pela primeira impressão. Você já sentiu vontade de mudar de emprego, mudar de igreja? 4) Quando estamos no lugar que Deus mandou, no tempo de Deus, nunca teremos falta da provisão de Deus (v. 16) – Nossa obediência precede a provisão. A viúva de Sarepta conheceu a Deus na cozinha.

Antes do milagre as coisas tendem a pior e muito – A viúva não era apenas pobre, mas agora está de luto. Seu único morre e ela coloca a culpa em Elias (v. 18). Elis fica em silêncio. Ela não se defende. Ele respeita a dor daquela mãe. Ele apenas pede para ela para colocar em seus braços o menino. Ele se desabafa com Deus (v. 19-20). Elias tem um lugar secreto de oração. Ele tem um lugar onde tem audiência com o céu. Elias se identifica com o menino morto (v. 21). Elias crê no impossível e o milagre acontece (v. 22). A mulher dá testemunho que ele é um homem de Deus (v. 24). A Palavra de Deus tem sido verdade em nossa boca?

IV. NA BATALHA DOS DEUSES – NO CARMELO – 18:1-2,19

Depois do treinamento, é tempo da ação – Elias é enviado de volta a Acabe, depois dos três anos e meio de seca. Antes Deus o mandou se esconder. Agora Deus fala: Mostre-se. Elias confronta o rei (v. 18), confronta o povo (v, 21) e confronta os profetas de Baal (v. 19,27). Alguém perguntou, certa feita para Alexandre, o grande: “Porque você conquistou o mundo todo? Porque eu não deixei essa decisão para depois”. Se o Cristianismo é um mito, abandonemo-lo. Se a Bíblia não é a verdade, queimemo-la. Se Jesus Cristo não é o Salvador, rejeitemo-lo, mas se ele é a nossa única esperança, voltemo-nos para ele de todo o nosso coração. Precisamos de crentes hoje que tenham coragem de viver em santidade e confrontar o pecado. O carmelo foi a batalha dos deuses. O Deus vivo desmantelou os ídolos de Baal. Os ídolos dos povos são nulos.

Antes de Deus se manifestar é preciso restaurar o altar que está em ruínas – O altar da oração, o altar da comunhão e o altar da fidelidade estavam em ruínas. Se queremos ver a manifestação de Deus, precisamos restaurar esse altar.

Quando o fogo do céu cai sobre o povo, o povo cai de joelhos (18:38-39) – Temos perdido a expectativa do sobrenatural. O nosso Deus está assentado no trono. Quando Deus se manifesta e o fogo de Deus desce do céu, o povo cai de joelhos. Até os mais céticos receberam uma prova de que Deus é real. Mas o maior de todos os milagres aconteceu no MONTE DO CALVÁRIO. Ali Jesus deu a sua vida por nós. Ali o sol cobriu o seu rosto. Ali as pedras partiram-se. Ali os túmulos foram abertos. Ali a porta do céu se abriu para os pecadores arrependidos.

O Elias que é exaltado diante dos homens, humilha-se diante de Deus – Ele sobe ao cume do carmelo não para ver os outros de cima para baixo, mas para orar humildemente, perseverantemente, vitoriosamente. Deus é o avalista da sua própria Palavra. O que ele promete, ele cumpre. Elias orou e os céus se prorromperam em abundantes chuvas.

Lições do Carmelo – 1) Quando temos a certeza de que estamos no centro da vontade de Deus somos invencíveis; 2) Obediência dividida é tão errada quanto idolatria declarada; 3) Quando Deus se manifesta através da oração dos seus servos, o povo se quebranta.

V. NA CAVERNA DA DEPRESSÃO – NO DESERTO – 19:9

Cuidado com a ressaca de uma grande vitória – Depois da retumbante vitória do Carmelo, quando Elias prevaleceu diante dos homens e diante de Deus, ele fragilizou-se e temeu e fugiu. Depois da vitória corremos o risco de baixar a guarda, arrear as armas e nos tornamos vulneráveis. As vitórias de ontem não são garantias de sucesso hoje.

Cuidado com as garras da depressão – O gigante de Deus está exausto, deprimido e pedindo para morrer. Por que? 1) Porque seus pensamentos estão confusos (19:2-3) – A ameaça não vem de Deus, mas de Jezabel. Elias já sabia que Deus é quem está no controle; 2) Porque ele se afasta dos relacionamentos encorajadores (19:3b) – A solidão não é um bom remédio para quem está deprimido; 3) Porque ele estava fisica e emocionalmente exausto (19:4-5) – O tratamento de Deus a Elias foi à base da sonoterapia e de uma boa alimentação; 4) Porque Elias se rendeu à autopiedade (19:4,9) – Deus trata de Elias dando a ele a oportunidade de desabafar e mostrando para ele que ele não apenas não estava sozinho como também o seu ministério ainda não tinha chegado ao fim. Elias tinha que ungir um rei no lugar de Acabe e um profeta em seu próprio lugar. A vida continua e Deus tem coisas maiores para realizar por nosso intermédio.

VI. NO GLORIOSO ARREBATAMENTO – NO JORDÃO – 2 Reis 2:6-12

Do anonimato à glória mais explêndida – Na corte de Acabe, Elias foi boca de Deus; em Querite foi quebrantado por Deus; em Sarepta foi lapidado por Deus; no Carmelo foi usado por Deus; na caverna foi restaurado; mas, no Jordão foi arrebatado por Deus. Antes de passar pelo Jordão, ele passou por Gilgal o lugar da salvação; por Betel o lugar da oração e também, por Jericó, o lugar da batalha. Mas depois chegou no Jordão, o lugar do arrebatamento. Elias é um símbolo do precursor de Jesus e do próprio Jesus. João Batista veio na força e no espírito de Elias. Quando Jesus perguntou: “Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mt 16:13-14). Quando Jesus apareceu em glória no monte da Transfiguração, Elias apareceu em glória juntamente com Moisés para falar com ele sobre sua partida para Jerusalém (Mt 17:3). Elias foi arrebatado ao céu sem experimentar a morte. Em toda a história da humanidade, somente Enoque e ele não passaram pela morte.

O arrebatamento de Elias é um prenúncio de glória para a igreja de Cristo – Um dia também, todos nós que cremos em Cristo, seremos arrebatados para encontrar o Senhor nos ares. Aqueles dormiram em Cristo, ressuscitarão com um corpo imortal, glorioso, poderoso e celestial. Os que estiverem vivos serão transformados e arrebatados para encontrar o Senhor nos ares e assim estaremos para sempre com o Senhor.

CONCLUSÃO

Você tem andado na presença de Deus como Elias? Tem se sujeitado ao tratamento de Deus? Tem aprendido a depender de Deus? Tem passado pelo cadinho de Deus? Tem tido coragem para confrontar o pecado? Tem recebido a cura para os seus próprios medos? Tem a certeza de muito em breve cruzaremos o nosso jordão e seremos levados para o céu?

Que Deus nos ajude a conhecer a Deus e a andar com Deus como Elias andou.

Rev. Hernandes Dias Lope

quinta-feira, 12 de maio de 2022

SANTIDADE AO SENHOR

 


Sem a qual ninguém verá a Deus

Texto: Hebreus 12.14-16

J. C. Ryle, um Bispo em Liverpool, do século XIX, estava certo: “Precisamos ser santos, porque esse é um supremo fim e propósito pelo qual Cristo veio ao mundo… Jesus é um Salvador completo. Ele não retira, meramente, a culpa do pecado do que crê, ele vai além… rompe o seu poder (1 Pe 1.2; Rm 8.29)”.

Em seu livro A Redescoberta da Santidade, J. I. Packer afirma que O CRENTE DOS DIAS DE HOJE ENXERGA A SANTIDADE COMO ALGO OBSOLETO.

Santidade evidente é o plano de Deus para seu povo, expresso no Antigo e no Novo Testamentos: “VÓS ME SEREIS REINO DE SACERDOTES E NAÇÃO SANTA” (Ex 19.6).

Meus irmãos, a vida cristã é como uma corrida. E como devemos correr (12.1). … corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta.

Três verdades são aqui destacadas. Em primeiro lugar, precisamos relembrar a Palavra de Deus (12.5,6). Em segundo lugar, precisamos atentar para o cuidado paternal de Deus (12.7- 9).  Em terceiro lugar, precisamos ter convicção do elevado propósito de Deus (12.10,11).

Uma atitude a assumir (12.12-17) A vara da disciplina pode produzir em nós atitudes de desânimo ou revolta. Por isso, o autor orienta os crentes a assumirem uma atitude certa ante a disciplina.

Devemos manter uma relação certa com Deus e com os homens (12.14). Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Uma vez que Deus é o Deus da paz (13.20), que através do nosso Melquisedeque, o rei da paz (7.2), tem nos trazido da desarmonia para a paz e da alienação para a reconciliação, devemos, em nossos relacionamentos diários, lutar pela paz com todos os homens.

            No nosso viver existem pensamentos, motivações, atitudes, hábitos, prioridades, amores, ódios, confiança, opiniões e muitas outras coisas que entristecem o Senhor.

A união entre paz e santificação aqui é uma advertência implícita de que não devemos buscar a paz a ponto de comprometer a santificação. O cristão busca a paz com todos, mas busca a santidade também, e esta não pode ser sacrificada por aquela.

A sã doutrina protestante e evangélica será inútil, se não for acompanhada por uma vida santa. Tenho a firme impressão de que precisamos de um completo reavivamento acerca da santidade bíblica. Por quê?

1-NOS FAZ PERCEBER A PECAMINOSIDADE DO PECADO

-O pecado é a transgressão da lei. 1 João 3.4. Aquele que desejar ter pontos de vista corretos sobre a santidade cristã terá de começar examinando o vasto e solene assunto do pecado. Conceitos errôneos sobre a santidade geralmente advêm de ideias distorcidas quanto à corrupção humana.

A verdade absoluta é que o correto conhecimento do pecado jaz à raiz de todo o cristianismo salvífico. Sem ele, doutrinas como justificação, conversão e santificação serão apenas “palavras e nomes” que não transmitem qualquer sentido à nossa mente. Portanto, a primeira coisa que Deus faz quando quer tornar alguém em uma nova criatura em Cristo é iluminar-lhe o coração, mostrando-lhe que ele é um pecador culpado.

Se um homem não percebe a natureza perigosa da doença de sua alma, ninguém poderá admirar-se de que ele se contente com remédios falsos ou imperfeitos. Acredito que uma das principais necessidades da igreja, neste nosso século, tem sido e continua sendo um ensino mais claro e completo sobre o pecado.

1. Começarei o assunto fornecendo uma definição de pecado. Naturalmente, todos estamos familiarizados com os termos “pecado” e “pecadores”. Com frequência, dizemos que o “pecado” está no mundo e que os homens cometem “pecados”. Digo, ademais, que “um pecado”, falando mais particularmente, consiste em praticar, dizer, pensar ou imaginar qualquer coisa que não esteja em perfeita conformidade com a mente e a lei de Deus. Em resumo, segundo as Escrituras, “o pecado é a transgressão da lei” (1 Jo 3.4).

Até mesmo um de nossos poetas disse, com toda a verdade: “Um homem pode sorrir, sorrir e ainda ser um vilão”.

Foi uma declaração profunda e bem pensada do santo arcebispo Usher, pouco antes de sua morte: “Senhor, perdoa-me de todos os meus pecados, sobretudo dos meus pecados de omissão”.

2. Concernente à origem e fonte dessa vasta enfermidade moral chamada “pecado” também me sinto na obrigação de dizer algo. Temo que as ideias de muitos crentes professos quanto a esse particular, são tristemente defeituosas e doentias. Portanto, fixemos em nossa mente que a pecaminosidade de um homem não começa pelo lado de fora e sim pelo lado de dentro.

3. No tocante à extensão dessa vasta enfermidade moral do homem, chamada pecado, cuidemos para não errar. A única base segura é aquela dada pelas Escrituras. “Viu o SENHOR que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”; “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto” (Gn 6.5; Jr 17.9). O pecado é um mal que permeia e percorre todas as partes de nossa constituição moral, bem como cada faculdade de nossa mente. A compreensão, os afetos, o poder de raciocínio, a vontade; tudo está, em certa medida, infeccionado pelo pecado.

Em suma, “Desde a planta do pé até à cabeça não há nele cousa sã, senão feridas, contusões e chagas inflamadas” (Is 1.6). O mal pode ser velado sob uma fina cortina de cortesia, polidez, boas maneiras ou decoro exterior; mas jaz profundamente em nossa constituição.

4. Acerca da culpa, da vileza e da ofensa do pecado aos olhos de Deus. Ele é Aquele que lê os pensamentos e os motivos, e não só as ações, e que requer “a verdade no íntimo” (Jó 4.18; 15.15; Sl 51.6). Nós, por outro lado – criaturas pobres e cegas, hoje aqui e amanhã acolá, nascidos no pecado, cercados de pecadores, vivendo em uma constante atmosfera de fraqueza, enfermidade e imperfeição – não podemos formar senão os mais inadequados conceitos sobre a hediondez do pecado.

 Somente quando Cristo vier pela segunda vez, perceberemos realmente a “pecaminosidade do pecado”. Com razão terá dito George Whitefield: “O hino no céu será: Que coisas tem feito Deus!” (Nm 23.23).

5. Resta apenas um ponto a ser considerado sobre o assunto do pecado, o qual não ouso esquecer. Esse ponto é a sua propensão para enganar. Trata-se de algo de capital importância e não tem recebido a atenção que merece. O que significam palavras como “precipitado”, “festeiro”, “extravagante”, “inconstante”, “impensado” e “folgado”? Elas demonstram que os homens procuram enganar-se, crendo que o pecado não é tão pecaminoso quanto Deus afirma.

Quanto mais nos avizinhamos do céu, tanto mais somos revestidos de humildade. Em todas as eras da Igreja, se estudarmos as biografias, será encontrada uma verdade: a de que os santos mais eminentes – homens como Bradford, Rutherford e M’Cheyne – sempre foram os mais humildes entre os homens.

Resta-me apenas salientar alguns usos práticos que podemos fazer da completa doutrina do pecado de modo proveitoso para estes nossos dias.

a. Em primeiro lugar, o ponto de vista bíblico sobre o pecado é um dos melhores antídotos para aquele tipo vago, nebuloso e indefinido de teologia tão dolorosamente popular nesta nossa época.

 b. Em segundo lugar, o ponto de vista bíblico sobre o pecado é o melhor antídoto para a teologia extravagantemente liberal e permissiva que está tão em voga na nossa época.

c. Em terceiro, o correto ponto de vista sobre o pecado é o melhor antídoto para aquele tipo de cristianismo sensitivo, cerimonial e formal que tem varrido a nossa terra como um dilúvio nestes últimos vinte e cinco anos, levando tantos consigo.

d. O correto ponto de vista sobre o pecado é o melhor antídoto para as teorias forçadas do perfeccionismo, acerca das quais tanto ouvimos falar nestes últimos tempos.

e. Em último lugar, o ponto de vista bíblico sobre o pecado mostra ser um admirável antídoto para os conceitos inferiores de santidade pessoal que tanto prevalecem nestes últimos dias na Igreja. Sei que esse é um assunto extremamente doloroso e delicado, mas não ouso evitá-lo. Há muito tem sido minha triste convicção, que o padrão de vida diária entre os cristãos professos está baixando cada vez mais.

Temo que amor cristão, delicadeza, bondade, altruísmo, mansidão, gentileza, benignidade, abnegação, zelo pelo bem e separação do mundo são muito menos apreciados hoje em dia do que deveriam ser e do que costumavam ser nos dias dos nossos antepassados.

 Estou convencido de que o primeiro passo para quem quer atingir um elevado padrão de santidade é perceber plenamente a tremenda pecaminosidade do pecado.

 2- A VERDADEIRA SANTIFICAÇÃO É OPERADA PELO ESPÍRITO

Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade. João 17.17. Pois, esta é a vontade de Deus, a vossa santificação. 1 Tessalonicenses 4.3.

Esse é um assunto de máxima importância para a nossa alma. Há três coisas que, de acordo com a Bíblia, são absolutamente necessárias para a salvação de todo homem e mulher na cristandade. Essas três coisas são justificação, regeneração e santificação.

Em dias como os nossos, examinar com calma esse assunto, como uma das grandes doutrinas básicas do evangelho, pode ser de grande utilidade para a nossa alma.

1. A NATUREZA DA SANTIFICAÇÃO- A santificação é aquela operação espiritual interna que o Senhor Jesus Cristo realiza em uma pessoa pelo Espírito Santo, quando Ele a chama para ser um crente verdadeiro.

O instrumento mediante o qual o Espírito efetua essa obra geralmente é a Palavra de Deus, embora algumas vezes use as aflições e as visitas providenciais “sem palavra alguma” (1 Pe 3.1).

O beneficiário dessa operação de Cristo, mediante o seu Espírito, é chamado nas Escrituras de homem “santificado”.

O Senhor Jesus realizou tudo quanto é necessário para as almas de seu povo; não somente para livrá-los da culpa do pecado, mediante a sua morte expiatória, mas também para livrá-los do domínio dos seus pecados, conferindo o Espírito Santo aos seus corações; não somente para justificá-los, mas também para santificá-los. Portanto, Ele não é apenas a sua “justiça” mas também é a sua “santificação” (1 Co 1.30).

 1. A santificação, pois, é o invariável resultado da união vital com Cristo, que a verdadeira fé confere a um crente: “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto” (Jo 15.5). Aquele que tem uma esperança real e viva em Cristo purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro (Tg 2.17-20; Tt 1.1; Gl 5.6; 1 Jo 1.7; 3.3).

2. A santificação, uma vez mais, é o resultado e a consequência inseparável da regeneração. Uma regeneração que permite que um homem viva descuidadamente no pecado ou no mundanismo é uma regeneração inventada por teólogos sem inspiração, mas jamais mencionada nas Escrituras. Resumindo, onde não há santificação, também não há regeneração, e onde não há vida santa, também não há novo nascimento.

3. A santificação, uma vez mais, é a única evidência indiscutível da presença habitadora do Espírito Santo, algo essencial à salvação. “E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). O selo estampado sobre o povo de Deus, pelo Espírito Santo, é a santificação. Todos quantos realmente “são guiados pelo Espírito de Deus”, esses são “filhos de Deus” (Rm 8.14).

4. Além disso, a santificação é o único sinal seguro da eleição divina. Sem dúvida, os nomes e o número dos eleitos são segredos, os quais Deus, sabiamente, reservou para a sua própria autoridade, não os revelando ao homem.

Por conseguinte, quando o apóstolo Paulo percebeu a “fé” atuante, o “amor” operante e a “esperança” paciente dos crentes de Tessalônica, disse: “reconhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição” (1 Pe 1.2; 2 Ts 2.13; Rm 8.29; Ef 1.4; 1 Ts 1.3-4). Aquele que se orgulha de ser um dos escolhidos de Deus enquanto voluntária e habitualmente vive em pecado; está apenas enganando a si mesmo e proferindo ímpias blasfêmias.

O catecismo da nossa igreja ensina, de forma correta e sábia, que o Espírito Santo “santifica todos os eleitos de Deus”.

5. A santificação, por semelhante modo, é algo que sempre será visto. À semelhança do grande Cabeça da Igreja, de onde ela emana, a santificação não pode ser ocultada. Toda árvore é reconhecida pelo seu próprio fruto (Lc 6.44). Uma pessoa verdadeiramente santificada pode ser tão humilde que nada veja em si mesma, senão fraqueza e defeitos.

6-A santificação genuína manifesta-se no respeito habitual à lei de Deus, bem como no esforço habitual por viver na obediência a ela como a grande regra de vida.

 7. A santificação é algo que admite crescimento e graus de intensidade. Um homem pode seguir um passo após o outro em sua santidade, estando muito mais santificado em um período de sua vida do que em outro.

 Em suma, eles “crescem na graça”, conforme o apóstolo Pedro exorta os crentes a fazerem; e conforme diz o apóstolo Paulo, eles continuam “progredindo cada vez mais” na santificação (2 Pe 3.18; 1 Ts 4.1).

 A santificação também é algo que depende em muito do uso diligente dos meios bíblicos. Quando falo em “meios”, tenho em vista a leitura da Bíblia, a oração privada, a frequência regular à adoração pública, o ouvir constante da Palavra de Deus e a participação regular na Ceia do Senhor.

Deus opera através de meios e Ele nunca abençoará uma alma que finja ser tão elevada e espiritual que possa dispensar esses exercícios, como se eles fossem desnecessários.

A santificação, por igual modo, é algo que não impede que um homem experimente intenso conflito espiritual interior. Por conflito entendo aquela luta no íntimo, no coração, entre as naturezas antiga e nova, a carne e o espírito, as quais podem ser encontradas juntas em todo crente (Gl 5.17).

O coração do mais piedoso crente, em seus melhores momentos, é um campo ocupado por duas forças rivais.

            A santificação, em último lugar, é absolutamente necessária para nos treinar e nos preparar para o céu. A maioria dos homens espera chegar ao céu quando morrerem; mas bem poucos, o que é de se temer, preocupam-se em considerar se conseguirão apreciar o céu, se ali chegarem. Teremos de ser santos antes de morrer, se quisermos ser santos quando estivermos na glória.

 Na minha consciência, creio que elas servirão para ajudar as pessoas a terem uma compreensão mais clara sobre a santificação.

3 -A SANTIDADE IMPLICA EM VIDA PRÁTICA

A santificação [santidade], sem a qual ninguém verá o Senhor. Hebreus 12.14

O texto acima esclarece um tema de profunda importância. Trata-se da santidade prática. Ele sugere um questionamento que requer a atenção de todos os cristãos professos, a saber: Somos santos? Veremos o Senhor?

Esta pergunta diz respeito aos homens de todas as classes e condições. Alguns são ricos, outros, pobres; alguns eruditos, outros, ignorantes; alguns patrões, outros, empregados. Não obstante, não há classe nem posição social na qual um homem não deva ser santo. Somos santos?

É algo muito solene ouvirmos a Palavra de Deus afirmar: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Mas agora procurarei apresentá-lo de uma maneira mais clara e prática.

1. A NATUREZA DA VERDADEIRA SANTIDADE PRÁTICA

No que consiste a santidade prática? Esta é a pergunta difícil de se responder. Não quero dizer com isso que as Escrituras pouco se manifestam sobre o assunto.

a. A santidade é o hábito de ter a mesma mente de Deus à medida que tomamos conhecimento da sua mente, descrita nas Escrituras. b. Um homem santo se esforçará por evitar todo pecado conhecido, observando cada mandamento revelado. c. Um homem santo esforçar-se-á por ser semelhante ao Senhor Jesus Cristod. Um homem santo seguirá a mansidão, a longanimidade, a gentileza, a paciência, a brandura, o controle sobre a própria língua. e. Um homem santo seguirá o autocontrole e a abnegação. f. Um homem santo seguirá o amor e a fraternidade. g. O homem santo seguirá o espírito de misericórdia e benevolência para com o próximo. Não ficará ocioso o dia inteiro. Não se contentará apenas por não estar prejudicando a ninguém, mas procurará fazer o bem. h. O homem santo seguirá a pureza de coração. i. Um homem santo será caracterizado pelo seu temor a Deus. Quão nobre é o exemplo de Neemias a esse respeito! Ele não poderia ser acusado de coisa alguma, se tivesse seguido o exemplo deles. Contudo, ele disse: “Porém, eu assim não fiz, por causa do temor de Deus” (Ne 5.15). j. O homem santo seguirá a humildade e sua atitude será de considerar os outros superiores a si mesmol. Um homem santo seguirá a fidelidade em todos os seus deveres e relações da vidam. Em último lugar, e não menos importante, um homem santo se caracterizará por uma mentalidade espiritual.

 O consagrado Bradford, fiel mártir de Cristo, algumas vezes encerrava suas cartas com estas palavras: “Um miserável pecador, John Bradford”. O idoso e bom Grimshaw, quando jazia em seu leito de morte, expressou as suas últimas palavras: “Aqui vai um servo inútil”.

Owen escreveu, com toda a razão: “Não posso entender como um homem pode ser um crente verdadeiro, se para ele o pecado não é a maior carga, a maior tristeza e o maior motivo de perturbação”. Essas são as características fundamentais da santidade prática. Examinemos a nós mesmos para verificar se estamos familiarizados com elas ou não. Submetamo-nos à prova.

2. A IMPORTÂNCIA DA SANTIDADE PRÁTICA

Por qual motivo a santidade é tão importante? Por que disse o escritor sagrado: “A santificação [santidade], sem a qual ninguém verá o Senhor”? Permita-me expor algumas razões que explicam isso.

a. Acima de tudo, devemos ser santos porque a voz de Deus, nas Escrituras Sagradas, assim nos ordena claramente. Diz o Senhor Jesus ao seu povo: “Se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” (Mt 5.20); “Sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48). b. Porque essa é a grandiosa finalidade e propósito daquilo que Cristo veio fazer no mundo. Paulo escreveu aos efésios, escreveu: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse” (Ef 5.25,26 ).c. Porque essa é a única evidência segura de que possuímos fé salvadora em nosso Senhor Jesus Cristo.  Traill declarou, com muita verdade: “O estado de um homem é nulo e a sua fé, doentia, se as suas esperanças da glória não estiverem purificando o seu coração e a sua vida”. d. Porque essa é a única prova de que amamos o Senhor Jesus Cristo com sinceridade. Esse é um ponto acerca do qual Ele falou nos mais claros termos em João 14 e 15: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos”. “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama”. “Se alguém me ama, guardará a minha palavra”. “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando” (Jo 14.15,21,23 e 15.14).

 Declarou Gurnall: “Nunca afirmes que tens sangue real nas veias, que nasceste de Deus, a menos que possas provar a tua descendência, ousando viver de maneira santa”.

 f. Devemos ser santos por ser essa a maneira mais provável de fazer o bem ao próximo. O dia do julgamento mostrará que muitos, além de maridos, serão conquistados por uma vida “sem palavra alguma” (1 Pe 3.1). g. Porque sem a santidade na terra nunca estaremos preparados para desfrutar do céu. O céu é um lugar santo. O Senhor do céu é um Ser santo. Os anjos são criaturas santas. A santidade está estampada em tudo quanto existe no céu. O livro de Apocalipse expressa: “Nela nunca jamais penetrará cousa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira!” (Ap 21.27).

E agora, antes que eu prossiga, permita-me dizer algumas poucas palavras de aplicação.

 1. Antes de tudo, quero indagar de todos quantos estão me ouvindo: “Você é santo”? Rogo-lhe que escute a pergunta que lhe estou apresentando neste dia. Você conhece alguma coisa a respeito da santidade da qual venho falando?

Não estou perguntando se você frequenta regularmente os cultos de sua igreja ou se você já foi batizado, ou se costuma participar da Ceia do Senhor, ou se você tem o nome de cristão. Estou perguntando algo muito mais profundo do que isso: Você é santo, ou não?

Mas, por qual motivo estou perguntando de um modo tão direto, insistindo tanto nessa questão? Assim o faço porque as Escrituras determinam: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Isso está escrito. Não é fantasia minha, está na Bíblia; não é a minha opinião particular, é a Palavra de Deus e não a palavra do homem: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

Você, provavelmente, responderá: “Essas declarações são extremamente duras. O caminho é muito estreito”. A minha resposta será: “Sei disso. Assim afirma o Sermão do Monte”. Na religião, assim como em outras áreas, “não há avanço sem sofrimento”. Aquilo que nada custa, nada vale.

 Devemos ser santos na terra, se quisermos ser santos no céu. Foi Deus quem o disse e Ele não retrocederá: “A santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”. Observou Jenkyn: “O calendário do papa só declara santos às pessoas mortas, mas as Escrituras requerem a santidade da parte dos vivos”.

2. Agora, desejo me dirigir aos crentes por um momento. A esses pergunto o seguinte: “Você percebe a importância da santidade tanto quanto deveria perceber?” Todas as pessoas justificadas são santificadas, e todas as pessoas santificadas foram justificadas. Portanto, aquilo que Deus ajuntou, não ouse o homem separar

Rutherford disse: “O caminho que diminui a importância dos deveres e da santificação não é o caminho da graça. Os atos de crer e fazer são amigos que fizeram um pacto de sangue”.

Não é verdade que precisamos de um padrão mais elevado de santidade pessoal nestes nossos dias? Onde está a nossa paciência? Onde está o nosso zelo? Onde está o nosso amor? Onde estão as nossas boas obras? Onde está a força da religião cristã a ponto de ser percebida, conforme se via nos tempos de outrora? Onde está aquele inequívoco tom, capaz de abalar o mundo que costumava distinguir os santos da antiguidade?

Em uma palavra, quais são os sinais visíveis de um homem santificado? O que poderíamos esperar ver nele? A verdadeira santificação, pois, não consiste em conversar sobre: assuntos religiosos, sentimentos religiosos passageiros, em formalismo externo ou em devoção exterior,  em nos retirarmos de nossas ocupações comuns da vida, renunciando aos nossos deveres sociais.

A santificação genuína manifesta-se através da obediência, que nosso Senhor exemplificou de forma tão bela, especialmente no caso da graça do amor. “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13.34,35).

CONCLUSÃO

Você quer ser santo? Você quer se tornar uma nova criatura? Então terá de começar com Cristo. Você simplesmente não conseguirá fazer coisa alguma e nem obterá qualquer progresso, enquanto não sentir o seu pecado e fraquezas, e não fugir para Ele.

A santidade é a obra que Ele efetua nos corações dos crentes, através do Espírito que Ele lhes proporciona no íntimo. Cristo foi nomeado para ser “Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados”. “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (At 5.31 e Jo 1.12).

Adap. Pr. Eli Vieira

Pedro: Transformado para Servir

 

 



João 21

A queda de Pedro foi muito triste, mas a sua restauração foi maravilhosa, onde podemos ver a graça incomparável do Senhor Jesus para com o pobre pecador.

Este capítulo é dedicado, basicamente, ao apóstolo Pedro, companheiro de ministério muito próximo de João (At 3:1). João não desejava terminar seu Evangelho sem contar aos leitores que Pedro havia sido restaurado a seu apostolado. Sem essas últimas informações, seria difícil entender a posição tão proeminente que Pedro ocupa nos doze primeiros capítulos do Livro de Atos.

Neste capítulo podemos aprender algumas lições como cristãos transformados pela graça de Deus, cada uma, com uma respectiva responsabilidade, como:

 1 . PESCADORES DE HOMENS – DEVEMOS OBEDECER AO SENHOR (Jo 21:1-8)

O Senhor havia instruído seus discípulos a se encontrarem com ele na Galileia, o que explica por que estavam no mar da Galileia ou mar de Tiberíades (Mt 26:32; 28:7-10; Mc 16:7). Mas João não diz por que Pedro decidiu ir pescar, e os estudiosos da Bíblia não apresentam um consenso quanto a essa questão. Alguns afirmam que estava fazendo algo perfeitamente legítimo, pois, afinal, precisava pagar suas contas, e a melhor maneira de levantar seu sustento era pescar. Por que ficar ocioso? Mãos à obra!

Talvez a impulsividade e a presunção de Pedro estivessem se revelando novamente. Foi sincero, trabalhou com afinco noite toda, mas não obteve resultados – como acontece com alguns cristãos na obra do Senhor! Acreditam sinceramente que estão fazendo a vontade de Deus, mas seu trabalho é em vão. Estão servindo sem orientação de Deus e não podem esperar as bênçãos dele.

                Era hora de Jesus assumir o controle da situação, exatamente como havia feito quando chamou Pedro para ser seu discípulo. Disse-lhes onde lançar as redes, e eles obedeceram e pegaram 153 peixes! Nunca estamos longe do sucesso quando permitimos que Jesus dê as ordens e, normalmente, estamos mais próximos do sucesso do que imaginamos.

2 . PASTORES – DEVEMOS AMAR AO SENHOR (Jo 21:9-18 )

 Jesus encontrou-se com seus discípulos na praia, onde já havia preparado um café da manhã para eles. Essa cena toda deve ter trazido fortes memórias a Pedro e tocado sua consciência. Sem dúvida, se lembrou daquela primeira pescaria (Lc 5:1-11), talvez da ocasião em que Jesus alimentou os 5 mil com pão e peixe (Jo 6). Foi no final desse último acontecimento que Pedro fez sua confissão explícita de fé em Jesus Cristo (Jo 6:66-71). As brasas na areia provavelmente o lembravam do braseiro junto ao qual havia negado ao Senhor (Jo 18:18). É bom recordar o passado, pois podemos ter algo a confessar.

O elemento-chave é o amor de Pedro pelo Senhor, e esse também deve ser o elemento central hoje. Mas a que Jesus se referia quando perguntou: “Amas-me mais do que estes outros?” Essa pergunta provavelmente queria dizer: “Você me ama – como você mesmo afirmou – mais do que os outros discípulos me amam?” A imagem muda, então, do pescador para o pastor, Pedro estava sendo restaurado. Pedro deveria ministrar tanto como evangelista (pegando peixes) quanto como pastor (cuidando do rebanho). É triste separar essas duas coisas, pois devem sempre andar juntas.

Por certo, o Espírito Santo prepara os que devem servir como pastores e coloca essas pessoas nas igrejas (Ef 4:11 ss), mas cada cristão, como indivíduo, também deve ajudar a cuidar do rebanho. Cada um de nós recebeu um ou mais dons do Senhor, e devemos usar o que ele nos deu para ajudar a proteger e aperfeiçoar o rebanho. As ovelhas têm a tendência de se perder, portanto devemos cuidar uns dos outros e nos exortar mutuamente.

3 . DISCÍPULOS – DEVEMOS SEGUIR AO SENHOR (Jo 2 1 : 1 9 – 2 5 )

Jesus havia acabado de falar sobre a vida e o ministério de Pedro e, agora, trata de sua morte. Pedro deve ter estremecido ao ouvir o Senhor discutir sua morte de maneira tão clara. Sem dúvida, Pedro sentia-se alegre por ter sido restaurado à comunhão e ao apostolado. Por que, então, falar do martírio?

  Um pouco antes, naquela manhã, Pedro “cingiu-se” e lançou-se ao mar rumando para a praia (Jo 21:7). Um dia, alguma outra pessoa o cingiria – e o executaria (ver 2 Pe 1:13,14). Diz a tradição que, de fato, Pedro foi crucificado, mas que pediu para ser colocado de ponta cabeça na cruz, pois não era digno de morrer exatamente da forma como seu Mestre havia morrido.

Jesus Cristo transformou a de seus discípulos, e ainda hoje transforma vidas. Onde quer que encontre alguém que creia e que esteja disposto a sujeitar-se a sua vontade, a ouvir sua Palavra e a seguir seu caminho, começa a transformar essa pessoa e a realizar coisas extraordinárias por meio dela.

Exceto pelos relatos bíblicos, Pedro e João saíram de cena há séculos, mas nós ainda estamos aqui. Trata-se de um grande privilégio e de uma responsabilidade enorme! Só seremos bem-sucedidos à medida que permitimos que o Senhor nos transforme.

Ad. Pr. Eli Vieira

quarta-feira, 20 de abril de 2022

AS MARCAS DE UM CRISTÃO


AS MARCAS DE UM VERDADEIRO CRISTÃO


1 João 1.1-2.17

A Primeira Carta de João, segundo alguns estudiosos, ocupa o lugar mais elevado nos escritos inspirados, a ponto de João Wesley chamá-la de “A PARTE MAIS PROFUNDA DAS ESCRITURAS SAGRADAS”. Ela, é tanto prática quanto teológica.

Esta carta de João não foi endereçada à igreja de Éfeso, nem à igreja de Pérgamo, nem mesmo às igrejas da Ásia coletivamente, mas a todas as igrejas. Entretanto, seus ensinos e suas exortações não se restringem àquela época e àquelas igrejas. As doutrinas e exortações são tão oportunas para as igrejas de hoje como o foram para as igrejas daquele tempo.

O apóstolo João teve um duplo propósito ao escrever essa carta: Primeiro, expor os erros doutrinários dos falsos mestres e segundo enfatizar a necessidade de obediência dos cristãos aos mandamentos divinos.

Diante do exposto, quero refletir com os irmãos, sobre as marcas do verdadeiro cristão.

1- CRER EM JESUS “O FILHO DE DEUS”(3.23; 5.6,10,13).

Meus irmãos, aos lermos a carta de João a PRIMEIRA MARCA que devemos destacar do verdadeiro cristão, É TEOLÓGICA, CRER EM JESUS “O FILHO DE DEUS”(3.23; 5.6,10,13)

A Primeira Carta de João tem uma mensagem tão urgente e decisiva para a igreja que o apóstolo, deixando de lado as saudações costumeiras, vai direto ao assunto e apresenta Jesus, a manifestação suprema de Deus entre os homens.

A mensagem de João é que Deus não está distante nem indiferente a este mundo, como pensam os gnósticos e deístas. O testemunho de João é que Deus está profundamente interessado neste mundo. Ele enviou seu Filho ao mundo e seu nome é Jesus Cristo, o verbo da vida. Ele é o Messias, o Salvador do mundo.

Não há qualquer sombra de dúvida de que o propósito da carta é anunciar aquele que é, desde o princípio, o verbo da vida, a vida eterna. Aquele que estava com o Pai manifestou-se em carne e foi ouvido, visto e tocado. Assim, João enfatiza a humanidade de Cristo. Contrariando os ensinos gnósticos que proclamavam que a matéria era essencialmente má, João mostra que Jesus veio em carne (1.1-3,5,8; 4.2,3,9,10,14; 5.6,8,20).

Ela é uma carta que enfatiza que Jesus é o Salvador. Jesus morreu pelos pecados dos homens (1.7; 2.1,2). O Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo (4.14).Ele manifestou-se para tirar os pecados e nele não existe pecado (3.5). Com respeito ao pecado do homem, Jesus é: primeiro, o nosso advogado junto ao Pai (2.1) e segundo, a propiciação pelos nossos pecados (2.2; 4.10). Um sacrifício propiciatório restaura a relação quebrada entre duas partes. E um sacrifício que reconcilia o homem e Deus.

Portanto, sem Jesus o homem está perdido, pois não há salvação distante de Cristo.

2- OBEDECER AO SENHOR (1.5; 2.3-11; 3.5)

A segunda marca que devemos enfatizar é MORAL, A OBEDIÊNCIA – SE PRATICAMOS OS MANDAMENTOS DE DEUS (1.5; 2.3-11; 3.5)

João não é um filósofo, mas um teólogo. Sua mensagem não é apenas para o deleite da mente, mas para a transformação do coração. Sua teologia não é destinada apenas a uma elite intelectual na igreja, mas para todos os que reconhecem seus pecados e se voltam contritos para Deus. A teologia não é separada da ética, mas exige santidade de vida. A teologia cristã não é apenas conceitual, mas, sobretudo, prática.

Sua mensagem tem profundas implicações práticas. O propósito do apóstolo é mostrar que não podemos ter comunhão com Deus e com os irmãos sem obediência. E impossível andar nas trevas e ter comunhão com Deus, que é luz. William Barclay tem razão quando diz que o caráter de uma pessoa estará determinado necessariamente pelo caráter do Deus a quem adora.

A teologia não é neutra, mas exige do homem um posicionamento. Aqueles que dizem conhecer a Deus, que é luz, mas vivem nas trevas; aqueles que, embora pecadores, negam a própria natureza pecaminosa; aqueles que, embora manchados pela mácula do pecado. Concordo com Augustus Nicodemus quando diz: “Os atos de um cristão professo são mais eloquentes do que suas palavras, e revelam o estado real de seu relacionamento com Deus”.

Nesta carta, o apóstolo João, enfatiza a necessidade de separação do mundo, e a necessidade de obediência aos mandamentos divinos. A prova moral de que pertencemos à família de Deus é a obediência (2.3-8,29; 3.3-15,22-24; 4.20,21; 5.2-4,17-19,21).O conhecimento de Deus e a obediência a Deus devem caminhar sempre juntos. Aquele que diz que conhece a Deus, mas não guarda seus mandamentos é mentiroso (2.35).

John Stott diz que temos razão de suspeitar dos que alegam intimidade mística com Deus e, entretanto, “andam nas trevas”. Religião sem moralidade é ilusão, uma vez que o pecado é sempre uma barreira para a comunhão com Deus. Andar nas trevas significa viver no erro, no pecado, na ignorância de Deus e em hostilidade a ele. Nesse caso, mentimos e não praticamos a verdade.

Andamos em trevas quando as coisas mais cruciais da vida passam sem o exame da luz de Cristo. Se nossa carreira, nossa vida sexual, dinheiro, família, autoimagem, esperanças e sonhos jamais lhe foram abertos, nosso cristianismo e vida eclesiástica são uma mentira eloquente. E esse o motivo da falta de poder de tantos cristãos hoje e a razão de haver igrejas sem vida e sem poder.

3- AMAR O PRÓXIMO ( 2.7-11)

Meus amados a TERCEIRA MARCA do verdadeiro cristão É SOCIAL, O AMOR – SE NOS AMAMOS UNS AOS OUTROS ( 2.7-11; 4.18-20; 5.1)

O amor, a evidência da verdadeira caminhada na luz, de que realmente conhecemos a Cristo (2.7-11). Se CRER em Jesus é a Marca teológica, a obediência (santidade) é a Marca Moral que identifica o verdadeiro cristão, o amor é a Marca Social. João faz uma transição da Marca Moral para a Marca Social, da obediência aos mandamentos para o amor ao próximo.

O novo mandamento de Cristo nos desafia a amar como ele nos amou. Isso é mais do que amar o próximo como a si mesmo, uma vez que Cristo nos amou e a si mesmo se entregou por nós. O amor cristão não é sentimento, é ação. Não somos quem dizemos ser, mas o que fazemos. Cristo deu sua vida por nós e devemos dar a nossa vida pelos irmãos (3.16).

Jesus redefiniu o significado de “próximo”. O próximo que devemos amar é qualquer pessoa que precise da nossa compaixão, independentemente de raça ou posição. Devemos amar até mesmo os nossos inimigos. Em Jesus o amor busca o pecador. Para os rabinos judeus ortodoxos, o pecador era uma pessoa a quem Deus queria destruir. Os judeus desprezavam os pecadores, considerando-os indignos do amor de Deus, e repudiavam os gentios, considerando-os combustível do fogo do inferno. Porém Deus amou o mundo.

João diz que “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino” (3.15) e que “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso” (4.20). Quem odeia a seu irmão desobedece aos mandamentos de Deus, está longe da verdade e vive em trevas espirituais.

Meus irmãos, João ergue sua voz para dizer que o ódio cega como as trevas. O amor não é cego; o ódio, sim, cega! Uma pessoa amargurada fica cega. Seu raciocínio obscurece. Perde-se o equilíbrio. Perde-se o discernimento. Perde-se a direção. Perde-se a bem-aventurança eterna. Que eu e você possamos a cada dia nos firmar nos ensinamentos da Palavra de Deus, vivendo em amor para honra e glória do Senhor.

Diante do exposto, como cristãos servos do Senhor Jesus, somos desafiados a evidenciarmos estas marcas em nossas vidas para a Glória de Deus.

Pastor Eli Vieira

COMO TRANSFORMAR A DERROTA EM VITÓRIA?




Josué 7.10-8.1-3

No dia 12 de agosto de 1849 o famoso pregador britânico F. W. Robertson disse:A vida, assim como a guerra, é uma série de erros, e não é o melhor cristão nem o melhor general que dá o menor número de passos em falso. A mediocridade pode levar a essa ideia. Na verdade, porém, o melhor é aquele que conquista as vitórias mais esplêndidas extraindo-as dos erros. Esqueça os erros; use-os para organizar vitórias. Essas palavras, afirma exatamente o oposto do que quase todos hoje em dia – inclusive as pessoas da igreja – pensam da vida.

Henry Ford teria concordado com Robertson, pois definia um erro como “uma oportunidade de recomeçar de modo mais inteligente”. Josué também teria concordado, pois estava prestes a “recomeçar de modo mais inteligente” e a transformar seus erros em vitória. Mas, para transformarmos as nossas derrotas em vitórias, nós precisamos:

1- ELIMINAR O PECADO JS 7.10-13
Israel havia enfrentado a grande cidade de Jericó, para os soldados de Josué, vencer a cidade de Ai seria algo fácil. Mas, após a grande vitória contra a poderosa Jericó, foi derrotado de forma humilhante por Ai (Josué 7). A causa da derrota coletiva foi o pecado de Acã. O erro de Acã levara Israel a uma derrota humilhante, a um desastre inconcebível naquele momento. Como consequência Deus se irou contra Israel e não só contra Acã? A resposta para a ira de Deus contra Israel está na doutrina da Aliança (pacto), o erro de um era o erro de todos. A causa da derrota de Israel foi a desobediência de Acã (Js 7.1,20,21).

Oh meus irmãos, como consequência da desobediência, Israel foi derrotado ( Js 7.2-5) Josué e os seus soldados ficaram desesperados (Js7,6-9) de tal maneira que Josué não sabia mais o que fazer. Naquele momento difícil Josué buscou a face do Senhor então Deus lhe deu a direção Js 7.10-15). A oração trouxe a descoberta do pecado (Js 7.16-21). Com a descoberta do pecado, Josué precisou tratar o erro, para isso ele aplicou a disciplina (Js 7.22-26) e assim o pecado foi eliminado do meio da congregação do povo de Deus.

Meus irmãos, assim podemos ver que o pecado foi investigado, identificado, confessado, julgado e punido. Israel precisava continuar marchando e Ai precisava ser enfrentada e derrotada.

2-RECOMEÇAR DE NOVO (JS 8:1, 2)
Uma vez que a nação de Israel havia julgado o pecado que contaminara o arraial, Deus poderia lhes falar em misericórdia e dirigi-los na conquista da terra. “O Senhor firma os passos do homem bom e no seu caminho se com praz; se cair, não ficará prostrado, porque o Senhor o segura pela mão” (SI 37:23, 24).

Não importa quantos erros venhamos a cometer, o pior erro de todos é não tentar outra vez. Alexandre Whyte diz: “A vida cristã vitoriosa é uma série de recomeços”. O capitulo de Josué 8 nos ensina a transformar derrotas em vitória. Nele aprendemos a recomeçar de forma mais inteligente. Para recomeçar o ponto partida é a palavra de Deus. Porque na Palavra de Deus é:

A palavra de ânimo (v. 1a). O fracasso costuma ser acompanhado de duas reações: o desânimo em função do passado e o medo do futuro. Olhamos para trás e nos lembramos dos erros que cometemos, e, em seguida, olhamos adiante e nos perguntamos se há algum futuro para pessoas que fracassam tão tolamente.

A resposta para nosso desânimo e medo é ouvir e crer na Palavra de Deus: “Não temas, não te atemorizes” (v. 1).

Veja as declarações de “não temas” em Gênesis, Isaías 41 – 44 e nos oito primeiros capítulos de Lucas. Deus nunca desencoraja seu povo de fazer progresso. Enquanto obedecemos a seus mandamentos, temos o privilégio de nos apropriarmos de suas promessas. Deus tem prazer em “mostrar-se forte para com aqueles cujo coração é totalmente dele” (2 Cr 16:9).

A palavra de instrução (vv. 1b-2). Deus sempre tem um plano para seu povo, e a única forma de alcançarmos a vitória é obedecer às instruções do Senhor. Em sua primeira investida contra Ai, Josué seguiu o conselho de seus espias e usou apenas parte do exército, mas Deus lhe ordenou que levasse “toda a gente de guerra” (Js 8:1). O Senhor também disse a Josué para usar uma emboscada e aproveitar-se da autoconfiança de Ai em decorrência da primeira derrota de Israel (Js 7:1-5). Por fim, Deus deu aos soldados o direito de apropriar-se dos despojos, mas deviam queimar a cidade. Se Acã tivesse esperado apenas alguns dias, poderia ter pego toda a riqueza que quisesse. Deus sempre dá o que há de melhor para aqueles que deixam a escolha ao encargo dele. Quando corremos na frente do Senhor, normalmente nos privamos de bênçãos e prejudicamos a outros.

A palavra de promessa (v. 1c). “Olha que entreguei” – essa foi a promessa de Deus (ver Js 6:2) e a garantia a Josué de que teriam a vitória, desde que obedecessem às instruções do Senhor. Mas é preciso nos apropriarmos de todas as promessas pela fé. A promessa de Deus não tem eficácia alguma a menos que seja “acompanhada pela fé” (Hb 4:2). Israel sofreu uma derrota terrível por ter agido de modo presunçoso no primeiro ataque contra Ai. As promessas de Deus fazem a diferença entre a fé e a presunção.

Não importa quão terrível tenha sido nosso fracasso, podemos sempre nos levantar e começar outra vez, pois nosso Deus é um Deus de recomeços.

Hoje em dia meus irmãos, Deus não nos fala de modo audível, como acontecia com frequência nos tempos bíblicos, mas temos a Palavra de Deus diante de nós e o Espírito de Deus dentro de nós; e Deus nos guiará, se esperarmos pacientemente na sua presença e se assim recomeçarmos nós vamos transformar as nossas derrotas em vitórias.

3- SEGUIR A ESTRATÉGIA DE DEUS (JS 8:3-13)
Meus irmãos, Deus não é apenas o Deus de recomeços, mas também o Deus da variedade infinita. Como disse certa vez o rei Artur: “Deus cumpre seus propósitos de muitas maneiras, para que uma boa tradição não venha a corromper o mundo”.

Deus muda seus líderes para que não comecemos a confiar na carne e no sangue, em vez de confiar no Senhor, e ele muda seus métodos para que não passemos a depender de nossa experiência pessoal, em vez de depender das promessas divinas (W. Wiersbe).

A estratégia que Deus deu a Josué para tomar a cidade de Ai foi quase o oposto da estratégia usada em Jericó. A operação em Jericó foi constituída de uma semana de marchas realizadas à luz do dia. O ataque a Ai envolveu uma operação noturna sigilosa que preparou o caminho para o ataque durante o dia. Em Jericó, o exército invadiu a cidade unido, mas para o ataque contra Ai, Josué dividiu suas tropas. Deus realizou um grande milagre em Jericó ao fazer as muralhas ruírem, mas não houve milagre algum desse tipo em Ai. Josué e seus homens simplesmente obedeceram às instruções de Deus ao fazerem uma emboscada e atraírem o povo para fora da cidade, e o Senhor lhes deu a vitória.

É importante que se busque a vontade de Deus para cada empreendimento da vida, a fim de não depender de vitórias passadas ao planejar o futuro. Como é fácil os ministérios cristãos acabarem em becos sem saída pelo simples fato de sua liderança não discernir se Deus deseja fazer algo novo por eles. Nas palavras do empresário norte-americano Bruce Barton (1886-1967): “Quem pára de mudar pára de viver”.

A estratégia de Ai tomou por base a derrota anterior de Israel, pois Deus estava transformando os erros de Josué em vitória. O povo de Ai estava seguro demais de si mesmo, pois havia derrotado Israel no primeiro ataque, e foi essa segurança excessiva que os condenou à derrota. “Vencemos uma vez, venceremos novamente!”

O plano era simples, mas eficaz. Liderando o restante do exército israelita, Josué viria do Norte e realizaria um ataque frontal contra Ai. Seus homens fugiriam, como haviam feito da primeira vez, o que levaria o povo de Ai, seguro de si, a afastar-se da proteção de sua cidade. Quando Josué desse o sinal, os soldados na emboscada entrariam na cidade e a incendiariam. O povo de Ai se veria encurralado entre dois exércitos, e o terceiro exército cuidaria de qualquer socorro que pudesse vir de Betel.

Como todo bom general, Josué acampava com seu exército (Js 8:9). Sem dúvida, incentivou os soldados a confiar no Senhor e a crer na promessa divina de vitória. O príncipe do exército do Senhor (Js 5:14) iria adiante deles, pois obedeceram à Palavra de Deus e confiaram em suas promessas.

A obra do Senhor requer estratégia, e, em seu planejamento, os líderes cristãos devem buscar a vontade de Deus. O termo estratégia vem de duas palavras gregas que, juntas, significam “liderar um exército”. A liderança exige planejamento, e o planejamento é uma parte importante da estratégia.

Deus sempre tem um plano estratégico para o seu povo. E o caminho mais curto e eficaz para a vitória é seguirmos as estratégias de Deus. Em sua primeira investida contra Ai, Josué seguiu o conselho dos homens e usou apenas parte da sua força militar. Agora, Deus diz: “toma contigo toda a gente de guerra, e dispõe-te, e sobe a Ai” (v.1). Deus ordena a Josué a usar todo o seu potencial de guerra. A estratégia divina tomou por base a derrota anterior, pois Deus nos ensina a transformar fracassos em sucessos. A estratégia que Deus deu a Josué para vencer Ai foi o oposto da estratégia usada em Jericó. Deus tem estratégias diferentes para cada empreendimento da nossa vida. Não confie em estratégias de sucesso, mas em Deus. Charles Stanley diz: “Ter sucesso é, dia após dia, ser como Deus quer que sejamos e alcançar as metas que estabelecemos sob a orientação dele”.

Deus diz a Josué: “olha que entreguei nas tuas mãos o rei de Ai, e o seu povo, e a sua cidade, e a sua terra” (v.1). A vitória vem do Senhor para aqueles que se apropriam das suas promessas. A promessa de Deus não tem nenhuma eficácia se não for acompanhada pela fé: “Porque também a nós foram anunciadas as boas-novas, como se deu com eles; mas a palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não ter sido acompanhada pela fé naqueles que a ouviram” (Hebreus 4.2). Sem fé é impossível agradar a Deus e receber dele alguma vitória.

Não importa o tamanho ou a dimensão do seu fracasso. Você pode levantar e recomeçar outra vez. F. W. Robertson disse: “A vida, assim como a guerra, é uma série de erros, e não é o melhor cristão nem o melhor general que dá o menor número de passos em falso. A mediocridade pode levar a essa ideia. Na verdade, porém, o melhor é aquele que conquista as vitórias mais esplendidas extraindo-as dos erros. Esqueça os erros; use-os para organizar vitórias”.

4-ASSUMIR UM NOVO COMPROMISSO (JS 8:30-35)
Algum tempo depois da conquista de Ai, Josué conduziu o povo cerca de cinquenta quilômetros para o Norte até Siquém, uma cidade entre os montes Ebal e Gerizim. Nesse local, a nação cumpriu a ordem que Moisés havia lhes dado em seu discurso de despedida (Dt 27:1-8). Josué interrompeu as atividades militares para dar a Israel a oportunidade de firmar um novo compromisso com a autoridade de Jeová expressa em sua lei.

Josué construiu um altar (vv. 30, 31). Uma vez que Abraão havia construído um altar em Siquém (Gn 12:6, 7) e que Jacó havia morado ali por um breve período (Gn 33 – 34), aquela região possuía fortes laços históricos com Israel. O altar de Josué foi construído sobre o monte Ebal, o “monte da maldição”, pois somente um sacrifício de sangue pode salvar os pecadores da maldição da lei (Gl 3:10-14).

Ao construir o altar, Josué teve o cuidado de obedecer a Êxodo 20:25 e de não usar qualquer ferramenta nas pedras recolhidas dos campos. Nenhuma obra humana deveria ser associada ao sacrifício para que os pecadores não pensassem que seriam capazes de ser salvos por suas obras (Ef 2:8, 9). Deus pediu um altar simples de pedra e não um altar elaborado e decorado por mãos humanas, “a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (1 Co 1:29). Não é a beleza da religião criada por homens que concede o perdão aos pecadores, mas sim o sangue no altar (Lv 1 7:11). O rei Acabe substituiu o altar de Deus por um altar pagão, que lhe não conferiu a aceitação de Deus nem o aperfeiçoou como ser humano (2 Rs 16:9-16).

Os sacerdotes ofereceram holocaustos ao Senhor representando o compromisso total de Israel com Deus (Lv 1). As ofertas pacíficas foram uma expressão de gratidão a Deus por sua bondade (Lv 3; 7:11-34). Uma porção da carne foi entregue aos sacerdotes e outra aos ofertantes para que pudessem desfrutá-la alegremente com sua família na presença do Senhor (Lv 7:15, 16, 30-34; Dt 2:17, 18). Por meio desses sacrifícios, a nação de Israel estava declarando diante de Deus seu compromisso e comunhão com ele.

Josué escreveu a lei em pedras (vv. 32, 33). Esse ato foi realizado em obediência à ordem de Moisés (Dt 27:1-8). No Oriente Próximo daquela época, era costume os reis celebrarem sua grandeza escrevendo registros de seus feitos militares em grandes pedras cobertas de reboco. Mas o segredo da vitória de Israel não era seu líder nem seu exército, e sim a obediência à lei de Deus Js 1:7,.

Esse é o quarto monumento público de pedras a ser erigido. O primeiro foi em Gilgal (Js 4:20), comemorando a travessia do Jordão pelo povo de Israel. O segundo foi no vale de Acor, um monumento ao pecado de Acã e ao julgamento de Deus (Js 7:26). O terceiro foi na entrada de Ai, uma lembrança da fidelidade de Deus ao ajudar seu povo (Js 8:29). Essas pedras no monte Ebal lembravam Israel de que seu sucesso dependia inteiramente de sua obediência à lei de Deus (Js 1:7,8).

Josué fez a leitura da lei (vv. 34, 35). Seguindo as instruções de Moisés em Deuteronômio 27:11-13, foi determinado um lugar para cada tribo em um dos dois montes. Rúben, Gade, Aser, Zebulom, Dã e Naftali ficaram no monte Ebal, o monte da maldição. Simeão, Levi, Judá, Issacar, José (Efraim e Manassés) e Benjamim ocuparam o monte Gerizim, o monte da bênção. As tribos no monte Gerizim foram fundadas por homens que eram filhos de Lia ou de Raquel, enquanto as tribos do monte Ebal era constituídas de descendentes de filhos de Zilpa ou de Bila, servas de Lia e Raquel. As únicas exceções foram Rúben e Zebulom, pertencentes à descendência de Lia. Rúben havia perdido sua posição de primogênito, pois havia pecado contra seu pai (Gn 35:22; 49:3, 4).

O vale entre os dois montes foi ocupado pelos sacerdotes e levitas com a arca, cercados pelos anciãos, oficiais e juízes de Israel. Todo o povo estava voltado para a arca, que representava a presença de Deus no meio deles. Quando Josué e os levitas leram as bênçãos do Senhor unia a uma (ver Dt 28:1-14), as tribos do monte Gerizim responderam em uníssono e em alta voz “Amém!”, que, no hebraico, significa “Assim seja!”. Quando leram as maldições (ver Dt 27:14-26), as tribos do monte Ebal responderam com um “Amém!” depois da leitura de cada maldição.

Deus havia dado a lei por intermédio de Moisés no monte Sinai (Êx 19 – 20), e o povo havia aceitado e prometido obedecer. Moisés havia repetido e explicado a lei nas campinas de Moabe, na fronteira com Canaã. Aplicou a lei à vida do povo na Terra Prometida e admoestou os israelitas a obedecer. “Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do S e n h o r, vosso Deus, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do S e n h o r, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes” (Dt 1 1:26-28, observar os vv. 29-32).

No entanto, o fato de os cristãos “não [estarem] debaixo da lei, e sim da graça” (Rm 6:14; 7:1-6) não significa que podemos viver como bem entendermos e ignorar ou contestar a lei de Deus. Não somos salvos por guardar a lei, nem santificados por tentar observar os preceitos da lei; antes, o “preceito da lei se [cumpre] em nós” ao andarmos no poder do Espírito Santo (Rm 8:4). Se nos colocarmos sob a lei, deixamos de desfrutar as bênçãos da graça (Gl 5). Se andarmos no Espírito, experimentamos seu poder transformador e vivemos com o propósito de agradar a Deus.

Sejamos gratos a Jesus, que levou sobre si na cruz a maldição da lei em nosso lugar e que nos concede todas as bênçãos celestiais pelo Espírito. Pela fé, podemos nos apropriar de nossa herança em Cristo e marchar avante em vitória!

Pr. Eli Vieira, é formado pelo Seminário Presbiteriano do Norte, Recefe-PE e pastor efetivo da Igreja Presbiteriana Semear, Itabuna-BA.




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